Sour, da Olívia Rodrigo, é um álbum universal sobre o pós-término de um relacionamento

O mundo pop foi arrebatado por Olívia Rodrigo e seu primeiro álbum de estúdio, Sour, no primeiro semestre de 2021.

Em maio, ela lançou um trabalho com referências ao pop punk, letras que deixaram Taylor Swift orgulhosa e baladas sensíveis e sinceras.

Olívia abriu seu coração no Sour, nos contando detalhadamente como se sentiu no pós-término de um relacionamento que ela não queria que acabasse e como é pertencer à Geração Z.

Como o Sour veio a ser

Sour foi lançado em 21 de maio de 2021 pela Olívia Rodrigo através da Geffen Records.

As gravações do álbum aconteceram durante 2020, o primeiro ano de pandemia no mundo, então a gente consegue entender o envolvimento mínimo de pessoas na produção.

Mas eu acredito que essa tenha sido, também, a intenção da Olívia.

Isso porque o álbum é totalmente confessional e saber que apenas duas pessoas se envolveram no processo dá ainda mais a ideia de que essa é uma história que ela está contando só para a gente.

Como a adolescência influenciou as músicas

A Olívia já declarou que o álbum “explora os perigos e descobertas dela própria aos 17 anos e que o título se refere à experiência desconfortável da juventude e como os adolescentes muitas vezes são criticados por sentirem raiva, ciúme ou infelicidade“.

E eu gosto muito de toda a temática porque eu sempre achei curioso como a gente costuma desumanizar o adolescente e a criança.

É como se eles não devessem sentir nada, não devessem se expressar e devessem apenas ser felizes.

Mas a Olívia prova como essa visão é errada porque o SOUR foi escrito por uma adolescente de 17 anos que sente coisas que todos nós sentimos.

Ao mesmo tempo, também, em que esse sentimento é universal, o álbum traz uma ideia de nicho, de como a Geração Z está sentindo isso.

Representando como a Geração Z se sente

Nós gostamos de falar de gerações e dizer como a geração mais recente é boba por gostar do que gosta, mas precisamos nos colocar no lugar dessa galera.

Eles estão começando a vida adulta deles agora, entrando no mercado de trabalho, pensando em construir um futuro… e eu pergunto: como?

A crise climática está cada vez pior, é quase um pesadelo pensar em ter família e filhos quando o planeta já não consegue aguentar a gente aqui.

As relações políticas entre as nações são terríveis, grupos terroristas tomando conta, imperialismo, capitalismo… e um vírus mortal em meio a tudo isso!

É um mundo sem esperança para todos nós, mas essa realidade bate muito diferente em que tem 18 anos porque os millennials já tiveram chance de viver alguma coisa.

Enquanto isso, a geração Z não viveu nada ainda.

A história que o álbum conta

Nós temos dois momentos acontecendo no álbum e eles acontecem de maneira bem compartimentada: uma espiada na realidade e um pós-término.

Na primeira parte, falando sobre a experiência do adolescente nesse mundo maluco, temos Brutal e Hope ur OK.

Já na segunda, o pós-término, temos Traitor, Driver’s License, 1 step forward, 3 step back, deja vu, good 4 you, enough for you, happier, Jealousy, Jealousy e favorite crime.

E a estrutura em que essas músicas aparecem no álbum é bem interessante porque nós começamos com Brutal, falando sobre como está difícil no mundo real.

Depois, nós seguimos com Traitor, Driver’s License, 1 step forward, 3 steps back, deja vu, good 4 you, enough for you e happier, em uma sequência sobre o pós-término.

É interessante como a Olívia descreve todos os sentimentos possíveis que podem aparecer nesse momento: tem raiva, tristeza, provocação, amargura, decepção, inveja…

E, enfim, chegamos à última música, Hope ur OK, onde o foco é o companheirismo e a compreensão para com seus pares, não com um parceiro.

É olhar para o amiguinho, reconhecer o que ele está passando e oferecer apoio.

É uma maneira ótima de terminar um álbum que começou com Brutal, onde tudo parecia sem esperança, mas talvez a esperança esteja em dar a mão para o coleguinha.

O que eu posso dizer é que Sour é um dos meus álbuns favoritos de 2021 porque, no papel, ele é um relato confessional e quase doméstico.

Porém, Sour se torna universal quando entendemos que todo mundo já se sentiu como a Olívia. E se ainda não se sentiu, ainda vai sentir.



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