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O que é um sistema de magia e quais são os tipos que existem?

O que é um sistema de magia e quais são os tipos de sistemas que existem

Você já se perguntou por que Dumbledore simplesmente não matou Voldemort quando teve chance? Ou por que Aslan apenas não usou sua magia contra a Feiticeira Branca?

A resposta para ambas as perguntas é: eles não podiam. A magia no mundo desses dois personagem tem regras e essas regras devem ser respeitadas.

Esse conjunto de regras é chamado de sistema de magia, o assunto do artigo de hoje.

Você vai conferir:

O que é um sistema de magia?
As leis de Sanderson
Quais são os tipos de sistema de magia?

O que é um sistema de magia?

A magia pode ser classificada como um ato extraordinário e sobrenatural, algo que estaria além do alcance da nossa compreensão completa.

E por conta disso, quando pensamos em histórias de magia, imaginamos mundos fantásticos, monstros desconhecidos e pessoas resolvendo todo e qualquer problema através de palavras mágicas ou varinhas.

O problema é que se você está acompanhando uma história onde a magia não tem regras, possivelmente essa será uma história chata e sem graça.

Sabe por quê? Porque a história não terá risco algum, já que a magia resolve qualquer problema.

Já pensou em como seria chato se o Dumbledore tivesse derrotado o Voldemort? O que seria da história de Harry Potter? Nada.

Assim como a história dos irmãos Pevensie, de Frodo Baggins e tantos outros protagonistas da literatura fantástica.

Incomodado por tudo isso, o autor Brandon Sanderson resolveu criar o conceito de sistema de magia, leis da magia e magia dura e suave.

As leis de Sanderson

Brandon Sanderson é um autor com quase vinte anos de carreira e uma legião de fãs.

Ele publicou sua primeira história curta em 1994 e seu primeiro romance, Elantris, em 2005. Após sua estreia, o autor coleciona séries diversas dentro da ficção especulativa.

Quando o autor Robert Jordan faleceu em 2007, Sanderson foi contratado para finalizar a icônica série de livros A Roda do Tempo. O autor escreveu os últimos três livros da série.

O autor escreve principalmente ficção especulativa, ou seja, fantasia e ficção científica.

E transitar dentro desses gêneros trouxe muita experiência sobre o uso de magia em suas histórias. Tanto que, ao pensar sobre as regras que a magia deveria ter, ele criou 3 leis.

A primeira lei de Sanderson

A primeira lei criada por Brandon Sanderson para o uso da magia na literatura diz que:

A habilidade do autor resolver um conflito com mágica é DIRETAMENTE PROPORCIONAL a quão bem o leitor compreende tal mágica.

Ou seja, o escritor precisa ter constância ao introduzir elementos de magia e as próprias regras do sistema dentro da história. Do contrário, pode acabar criando a sensação de deus ex-machina no leitor, o que nunca é bom.

Na prática, isso significa que o conflito do seu livro precisa se resolver a partir de algo que já foi criado, apresentado e que o leitor sabe como funciona.

Esse é um princípio básico de estrutura também. Introduzir um conceito novo, uma magia nova ou uma regra nova apenas para resolver um conflito mostra falhas de planejamento.

Um exemplo inteligente de como essa lei aparece em uma história é no filme Doutor Estranho. Nele, o protagonista utiliza um artefato que o espectador já conhecia, mas de forma inesperada.

Não houve a introdução de uma nova regra de magia, mas um novo uso para a magia.

A segunda lei de Sanderson

A segunda lei aprofunda um pouco a questão e traz o limite como assunto. Ela diz:

Limitações > Poderes

Isso significa que um aspecto muito interessante da magia, que nem sempre é pensado por autores, é a limitação que ela.

Por exemplo: em Harry Potter, os magos precisam de varinhas para lançarem bons feitiços de forma precisa; em Aladdin, o gênio não pode matar ninguém, ressuscitar os mortos e nem fazer pessoas se apaixonarem.

Esses são exemplos simples, mas extremamente efetivos porque eles adicionam conflito.

E se um mago em Harry Potter estiver sem sua varinha e precisar se defender? É o que acontece com o protagonista em determinado momento da história quando ele passa a usar a varinha de Draco.

E a trama de Aladdin está intrinsecamente ligada às limitações do gênio. Existe uma moça que ele quer que o ame, mas o gênio não pode fazer ela se apaixonar por ele. Isso força Aladdin a ser criativo e buscar outra solução.

A terceira lei de Sanderson

Por último, a terceira lei de Sanderson fala sobre a expansão do sistema de magia. Ela diz:

Expanda o que você já possui antes de criar algo novo.

Basicamente, o que essa regra traz para o autor é pensar sobre as consequências e impactos de uma magia antes de introduzir outras.

Por exemplo, em Star Wars, nós conhecemos a Força. Essa é uma magia simples que é apresentada como pertencendo a uma ordem de estudiosos e guerreiros, os Jedi.

A princípio, a Força parece algo complicado e grandioso, mas se formos definir como a Força se manifesta, podemos dizer que ela é um tipo de telecinese. Com ela, os Jedi conseguem melhorar seus estilos de luta e sua influência sobre as pessoas.

E por mais simples que pareça, o impacto da Força no universo da história é enorme.

O que essa terceira lei diz, então, é que você não precisa se preocupar com diversas e complexas manifestações de poder. O que você precisa é de consequência.

Quais são os tipos de sistema de magia?

A partir de tudo isso, Brandon Sanderson também criou tipos de sistema de magia.

Como vimos acima, um mundo mágico precisa de regras e isso é chamado de sistema de magia. Porém, para além disso, ele pode ser suave, duro ou uma mistura dos dois.

Isso significa que existe um sistema onde a magia é rígida, um sistema onde a magia é leve e deve causar maravilhamento e um sistema que mescla um pouco dessas duas visões.

Sistema de Magia Suave (Soft Magic)

A magia suave é aquela que não tem muitas regras visíveis para o leitor. Esse tipo de sistema até pode ter regras bem definidas para o autor, mas para o leitor elas são vagas.

Nesse tipo de história, a magia não costuma ser o foco, mas o meio para algo.

Através dela, o autor apresenta o mundo, faz a história dos personagens acontecer, e também existe a chance de usá-la como metáfora.

Utilizar a magia suave em uma história ajuda a aumentar a imersão na trama e a despertar a curiosidade do leitor, isso porque ele não sabe muito bem como aquilo tudo funciona.

Também pode ser um ótimo meio de contar uma história cômica ou de mostrar quão pequenos são os personagens diante do mundo.

Sistema de Magia Rígido (ou Duro – Hard Magic)

Já o sistema de magia rígido, também chamado de duro, é diferente. Ele possui regras muito claras, lógica interna e tudo precisa ficar claro para o leitor.

Assim, existe consistência sempre. O leitor sempre vai saber que se personagem tal tiver tal ação, o resultado vai ser tal.

E ao contrário do que se pode imaginar, não é necessário explicar a origem da magia, apenas como ela funciona.

Nesse tipo de sistema, é comum que a história gire em torno da magia ou precise dela para ter um melhor contexto. 

A maior vantagem de utilizar um sistema de magia rígido é contar com a compreensão do leitor no uso de artefatos e na resolução de conflitos. Ele conseguirá entender o que é lógico ou não e o que esperar.

A magia rígida também é uma ótima ferramenta para criar conflitos internos e externos, utilizando as limitações e medos dos personagens.

Sistema de Magia Híbrido

É importante esclarecer que um sistema de magia não é binário, mas um espectro. Ou seja, você também pode escolher utilizar um pouquinho de magia rígida e magia suave.

Nesse caso, você cria um sistema de magia híbrido e tem o melhor de dois mundos: a fascinação pela magia desconhecida e a consistência de um sistema lógico.

Para concluir…

A discussão sobre sistemas de magia, regras, leis e magia suave e rígida é algo que ainda gera bastante polêmica dentro da literatura.

Existem escritores que concordam com Sanderson e procuram criar seus sistemas seguindo todas as considerações dele, porém também existem aqueles que dizem que o autor está querendo limitar a criatividade do autor.

Independente do lado em que você estiver, o importante é sempre dar a melhor experiência para o seu leitor.

Por isso, busque criar uma história interessante, divertida e que trabalhe a questão da causa e consequência de maneira inteligente.

E se você tiver dúvidas sobre a história e quiser descobrir se ela está consistente e redondinha, conheça meu serviço de leitura crítica!

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