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Seu livro não é arte, escritor independente, seu livro é um produto

Seu livro não é arte, escritor independente, seu livro é um produto

Eu escrevo sobre marketing literário pensando em escritores independentes há algum tempo porque eu mesma sou uma autora iniciante e independente.

Desde que eu comecei a pesquisar sobre o assunto, entendi que nenhuma divulgação vai ter o resultado esperado se não aprendermos uma lição fundamental: o livro é um produto e o escritor é uma marca.

A literatura é considerada uma arte e, enquanto autores, tendemos a achar que o que estamos fazendo é arte. E que, por isso, precisamos vender nossos livros como se eles livros e não como se fossem produtos.

Para o escritor, seu livro não é um produto para ser vendido de acordo com a demanda do mercado e visando lucro.

Porém, sinceramente, o orçamento mensal do leitor, a fatura do cartão de crédito dele e as plataformas de venda não enxergam livros como arte, mas como produtos. Aliás, a própria arte, quando exposta em galerias particulares, se torna um produto.

Existe, portanto, uma diferença entre um leitor comprar uma edição especial comemorativa de Harry Potter e um ebook lançado há pouco por um autor que nem tem Instagram.

Se o leitor precisar escolher entre um dos dois, ele vai escolher o Harry Potter. E não só porque é Harry Potter, mas porque a editora sabe que livros são produtos e se aproveita disso para ganhar dinheiro. Além disso, a editora, que sabe que o livro é um produto, sabe como comunicar o livro para o público-alvo certo e sabe apresentar vantagens e motivos para compra.

Enquanto isso, o autor independente sem presença online, que acha que é a história que vende um livro, está com o porão cheio de exemplares encalhados, sem nenhuma avaliação na Amazon e sem ganhar like nas republicações de link de compra.

É verdade que existem muitas variantes na comparação que eu fiz. Como comparar uma obra consagrada com um autor iniciante, não é mesmo? Porém, o que eu discuto aqui é a visão. A Editora Rocco sabe que Harry Potter é um produto com boa saída no mercado. Então, em vez de focar no aspecto artístico, eles focam na vendagem.

Se o que bastasse fosse a história, não haveriam 50 edições diferentes de Harry Potter rolando no mercado.

Além disso, a editora não pensa apenas na história do menino bruxo quando coloca uma nova edição para venda. Eles pensam na identidade visual das novas edições, pensam nos argumentos de venda que vão usar e pensam em uma estratégia para a campanha de venda desses novos exemplares.

Por isso, escritor independente, tente olhar pelo outro lado. Não pelo lado de quem passou um ano (às vezes, muito mais do que isso) escrevendo um livro, mas pelo lado de alguém que vai consumir esse produto em uma semana.

Desculpe acabar com os seus sonhos, mas você não vai conquistar leitores ou chegar à lista dos mais vendidos apenas pelo mérito das palavras contidas no seu livro. Isso porque NINGUÉM chega na lista dos mais vendidos ou conquista leitores só com isso mais.

A oferta é muito grande, por isso é preciso pensar no livro como um produto e saber como criar demanda.

Pensando no livro como um produto, você vai conseguir entender quem tem mais propensão a comprar. Fazendo isso, você para de gastar tempo e dinheiro oferecendo sua história para todo mundo e vai focar no público certo.

Entendendo o livro como um produto, você também vai conseguir explicar e enumerar para o público certo os motivos pelos quais eles deveriam gastar dinheiro com você e não com um autor que já tem milhares de livros vendidos.

Além disso, entender o livro como produto traz a consequência de você, escritor independente, se enxergar como marca. Porque sim, você é uma marca. Você é a empresa que produz esse produto, portanto você também precisa de divulgação.

E isso nos traz a outro ponto da conversa, a de que editoras só publicam autores renomados.

E nesse ponto, eu faço uma pergunta: quando você vai comprar um produto, de quem você compra? Da marca desconhecida, que você não sabe se vai ter um boa performance, ou da marca que já é conhecida e que você sabe que pode confiar pelos comentários que viu na internet?

Talvez agora fique mais claro por que nenhum dos seus originais foi aceito por uma editora grande e tradicional.

Eu sei que tudo que eu escrevi aqui parece cruel e sei também que isso vai magoar muitas pessoas. Porém, a verdade é que vivemos em um mundo capitalista onde tudo pode se tornar um produto e ninguém está se importando em apreciar arte que não tem preço.

Você querendo ou não, o livro é um produto nesse mundo. Talvez, inclusive, o livro sempre tenha sido um produto, mas nós ignoramos porque preferimos pensar que estávamos fazendo arte.

Então, para sobreviver como escritores e prosperar como escritores, precisamos tirar os óculos de lente cor-de-rosa e enxergar o mundo literário como ele realmente é.

Nós, escritores independentes, somos marcas, e nossos livros são os nossos produtos. E está tudo bem!

 



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