Pular para o conteúdo
O Fim da Eternidade: viagem no tempo, amor e mudanças de realidade

O Fim da Eternidade de Isaac Asimov: viagem no tempo, amor e mudanças de realidade

Recentemente, eu terminei a leitura de O Fim da Eternidade, um dos clássicos de ficção científica do Isaac Asimov.

O autor tem várias obras consideradas essenciais para o gênero e esse é um de seus títulos mais ousados porque, assim como A Máquina do Tempo, do H.G. Wells, imaginou um futuro distante para a humanidade.

Na história de O Fim da Eternidade, nós conhecemos Andrew Harlan.

Esse homem trabalha para a Eternidade, uma organização que controla o tempo de maneira minuciosa, tudo em prol da manutenção da vida humana.

Essa organização tem acesso a (quase) todo o tempo humano na Terra.

Por isso, caso aconteça alguma coisa que traga ameaça à existência dos humanos, a Eternidade mexe seus pauzinhos para consertar.

E é isso que Harlan faz, ele é um técnico. Ele analisa mudanças drásticas no tempo e as micromudanças, procurando evitar que muitas pessoas sejam afetadas por modificações em suas próprias histórias.

Isso até o momento em que ele conhece Noÿs, uma mulher que o faz questionar a Eternidade e seu próprio trabalho.

De maneira geral, a minha experiência com esse livro foi bem interessante.

Eu achei que o tema é pertinente, gostei do rumo que as coisas tomaram e pude observar várias coisas durante a história.

O Paradoxo de Bootstrap

Em determinado ponto da história, Harlan descobre que algo que já aconteceu no passado e que possibilitou a existência da Eternidade, precisa acontecer novamente ou aquela realidade desapareceria.

O conceito que o autor nos traz é o Paradoxo de Bootstrap, o paradoxo do avô, que diz que algo que aconteceu apenas aconteceu porque já aconteceu antes.

Essa é uma das maneiras mais inteligentes de trabalhar a viagem no tempo. E, muitas vezes, mostra que, por mais que a pessoa tente evitar que aconteça, ela não pode porque já aconteceu.

E assim como diversas histórias que carregam esse paradoxo, aqui os personagens conseguem entender que podem mudar o passado para mudar o futuro. A história não precisa, necessariamente, acontecer ciclicamente.

O impacto feminino na História

Algo que sempre me incomoda em livros do meio do século, especialmente se forem de ficção científica, é o tratamento e a representação das mulheres na trama.

No caso de O Fim da Eternidade, nós temos apenas uma personagem feminina, que é Noÿs, e por várias vezes vemos os homens ao redor dela talharem comentários problemáticos.

Suas características mais descritas são sempre as físicas, ela existe apenas em decorrência ao protagonista e, em determinado momento da história, Harlan se surpreende por ela ter interesses próprios quando encontra um livro sobre comportamento social em sua casa.

Outro ponto interessante é sobre mulheres trabalhando na Eternidade.

Desde o início, vemos apenas homens na organização. A justificativa do autor é que isso se dá apenas porque é muito mais difícil tirar as mulheres de suas realidades sem que haja efeitos colaterais.

A questão é que, para trabalhar na Eternidade, os homens precisam se retirar de suas realidades e nunca mais podem voltar para seu próprio século e para sua família.

No momento em que começam a trabalhar ali, é como se eles nunca tivessem existido. E pelo fato de poderem ser as geradoras de pessoas muito importantes para o futuro, as mulheres são funcionárias raras na organização.

O que é interessante como explicação, mas também uma maneira muito simplista de não deixar as mulheres de fora da narrativa.

A natureza sempre encontra uma maneira

Uma das preocupações que Noÿs traz para Harlan mais para o final do livro é que o papel da Eternidade.

O papel de mexer com a realidade humana e evitar os desastres, acaba atrasando diversas descobertas e aventuras humanas.

Por exemplo, ela diz que, ao evitar algumas guerras e corridas espaciais em alguns séculos, a Eternidade atrasou a conquista das estrelas em quase 100.000 séculos.

Ou seja, quando a humanidade começou a viajar para o espaço, não havia mais planetas e asteroides para conquistar. Isso porque outras civilizações (alienígenas) já o tinham feito.

O que isso me lembrou foi a frase célebre de O Parque dos Dinossauros, quando o matemático afirma que a natureza sempre encontra um jeito.

Se a Eternidade não existisse, os seres humanos já teriam encontrado seu caminho para as estrelas no tempo correto. Eles teriam mantido vivo o desejo humano pela conquista e o objetivo da humanidade em explorar.

Ao podar esse objetivo, a Eternidade acabou apenas criando seres humanos depressivos que desaparecem por que não veem mais sentido na vida.

Então, mais para o final do livro, o autor joga uma ideia ousada e polêmica na mesa ao dizer que a bomba atômica precisa acontecer.

Assim, as nações começariam sua corrida espacial mais cedo e conquistaria as estrelas antes do século 120.000.

E vocês, leram O Fim da Eternidade? Em suma, quais foram as impressões gerais da narrativa?

Leia também:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.