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Como escolher um narrador para o gênero policial

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Nenhuma história pode se contar sozinha. Ela sempre precisa que alguém a conta, mesmo que esse alguém não pareça estar ali.

Por isso, é essencial saber escolher um narrador para sua história. Ainda mais se estiver escrevendo um romance policial.

É o narrador quem vai ser o mediador entre a sequência de fatos que é a história e o leitor. E apesar do imaginado, o narrador de uma história não é o autor.

O narrador é um personagem como qualquer outro e precisa ser construído como qualquer outro.

Neste artigo, você vai entender como escolher um narrador para o gênero policial.

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Como escolher um narrador

Primeiramente, vamos deixar algo claro: o narrador é um dos personagens da história. O autor o cria a partir da necessidade da história e se adapta a ela, mesmo que essa história pareça se contar sozinha. 

Assim, saber escolher um narrador é essencial para que a sua história passe exatamente aquilo que você quer que o leitor sinta.

E para isso é preciso entender qual é o foco narrativo da história e por qual ponto de vista contá-la.

O narrador-personagem

A autora P.D. James diz em seu livro Segredos do Romance Policial que a primeira coisa que um romancista precisa fazer é escolher o ponto de vista.

Para ela, a narrativa em primeira pessoa possui vantagens, principalmente no que se refere à proximidade e simpatia do leitor para com o personagem, mas tem suas desvantagens na limitação do narrador-protagonista.

Ele vê apenas o que acontece ao seu redor e sabe apenas aquilo que acontece consigo, e isso seria mais apropriado para suspenses de ação rápida do que clássicas histórias de detetive.

O escritor francês, Pierre Boileau, disse em seu livro O Romance Policial que a narrativa em primeira pessoa, especialmente o narrador-personagem, dentro da literatura policial é muito acertada quando o subgênero é o suspense, o romance da vítima, como ele chama.

O filme Corra! (apesar de ser um filme) se encaixa na categoria de “romance da vítima”, contado pelo ponto de vista do narrador-personagem.

O narrador-testemunha

O narrador em primeira pessoa também tem outra opção de foco narrativo, o narrador-testemunha, tão conhecido por amantes do gênero por ser o estilo narrativo escolhido por Sir Arthur Conan Doyle em Sherlock Holmes.

Dr. Watson, por exemplo, é um narrador-testemunha. Ou seja, ele está sempre na companhia de Holmes e nós conhecemos o detetive por seus olhos e suas impressões.

Uma opção menos restrita do que o narrador-protagonista é o narrador-testemunha. Esse tipo foi bastante popular durante a Era Dourada do gênero policial, no início do século XX.

Ter este tipo de narrador na história é criar uma ponte entre o leitor e o detetive e, de certa maneira, serve como personificação do leitor durante as investigações.

Para P.D. James entretanto, este tipo de narrador é perigoso, pois ele se torna interessante e importante demais para a trama, competindo como herói com o detetive.

Jude Law como Dr. Watson no filme de Guy Ritchie

Os narradores oniscientes e em terceira pessoa

Nenhuma desses autores nos diz qual é o narrador ideal em sua opinião. Mas descartando os narradores-testemunha e narradores-personagem, temos os narradores de terceira pessoa e sua onisciência.

Talvez este seja o tipo ideal porque este narrador se coloca fora da narrativa, ele apenas narra os fatos que vê, e por isso tende a ser imparcial.

Ou seja, acaba tornando muito mais fácil enxergar pistas e suspeitos. Por isso, tome cuidado ao escolher um narrador para o gênero policial.

Este artigo é parte de um estudo sobre literatura policial e a representação de museus no gênero. Para conferir o conteúdo completo, acesse este link.

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