Mermaid Vs. Sailor: o primeiro EP de Marina and The Diamonds

Mermaid Vs Sailor: o primeiro EP de Marina and The Diamonds

Em 23 de novembro de 2007, a cantora MARINA (que na época ainda era and The Diamonds) lançou o seu primeiro extended play, Mermaid Vs Sailor.

Marina compôs e produziu de maneira independente as 6 faixas do EP. Ela o disponibilizou para venda no MySpace e, naquele ano, vendeu 70 exemplares em formato CD. Mermaid Vs Sailor é uma provinha do que viria a ser a obra da cantora.

A criação deste EP mostra a identidade independente e crítica de Marina e as letras e temáticas ácidas nos deixam entender a contribuição dela para o mundo da música: críticas sociais e análises aprofundadas do ser humano.

Hoje, o EP está disponível no YouTube e pode ser apenas ouvido por lá, já que Mermaid Vs Sailor não está em nenhuma plataforma de streaming. Deste extended play saíram 2 músicas que figuram no primeiro álbum de estúdio de Marina, o The Family Jewels: Hermit, the Frog e Seventeen.

 

Uma breve análise de Mermaid Vs Sailor

Como é um EP produzido de forma bastante caseira, todas as músicas tem uma sensação de crueza, de não estarem terminadas. Por vezes, algumas das sobreposições de voz soam até erráticas (como quando elas estouram nos ouvidos em Horror Pop).

Porém, a graça de Marina sempre esteve em seu modo crítico e sem filtros de ver o mundo.

01 Seventeen

Ela abre o EP com Seventeen, a primeira das músicas que se tornou oficial em sua discografia e a primeira que ganhou um clipe.

Essa canção sempre foi um mistério entre os fãs porque ninguém nunca conseguiu descobrir o que aconteceu no dia em que ela fez dezessete anos, como diz a letra.

Marina nunca contou esse segredo e disse que a graça era que isso permanecesse segredo. Mas eu tenho uma teoria de que ela estaria falando sobre a perda da virgindade.

A letra está em primeira pessoa e fala sobre a relação conturbada que Marina tem com um rapaz. Ele a quer como um troféu, para exibir, e não dá atenção ao potencial que ela tem porque a julga menos por ser mulher.

Então, no refrão, ouvimos que o que aconteceu naquele dia é o “the rise of a king and a fall of a queen”, como se após aquilo, o rapaz tivesse o status elevado e ela caísse. Essa é uma afirmação comum quando falamos de sexo na adolescência.

Meninas que perdem a virgindade normalmente perdem status, pois agora perderam alguma coisa essencial. Enquanto os meninos elevam sua posição, pois agora têm experiência.

 

 

02 Horror Pop

A segunda música desse EP é muito mais crua do que as posteriores, mas ela tem uma sonoridade mais divertida. Traz o elemento principal de The Family Jewels, que é o pianinho característico do início da carreira da Marina.

Na letra, ela fala sobre expectativas em um relacionamento usando metáforas de signos para isso. Ela esperava que o rapaz fosse geminiano, mas ele é libriano e ela não sabe como as coisas vão acontecer porque ela nunca namorou um libriano antes.

Ao mesmo tempo, ao perceber que ele tem o mesmo signo que ela, vê que os dois são parecidos. E julga que ele vai ser tão horrível quanto ela é. Mais uma música sobre relacionamentos, o que é algo diferente para Marina.

03 Hermit, the Frog

Confesso que antes de ouvir esse EP, eu nunca tinha escutado Hermit, the Frog inteira porque essa música nunca me pareceu fazer sentido. Depois de ouvir a versão demo continuou não fazendo sentido, mas a sonoridade dela é divertida também.

A principal observação entre essa versão e a que entrou em The Family Jewels é alguns versos. A letra foi um pouco modificada, talvez para se encaixar melhor na melodia.

Aliás, a melodia dessa música, mesmo na versão demo, é bastante recheada e cheia de instrumentos. Os vocais são um ponto alto também, a Marina brinca bastante com agudos, graves e os famosos “runs”.

 

04 Daddy was a sailor

Em Daddy was a Sailor, temos uma melodia muito mais dramática. O piano é bastante forte aqui e o ar fica mais carregado, combinando com a temática da música.

A letra fala sobre uma família disfuncional pelo ponto de vista da filha, que pode ser a Marina ou uma personagem. Temos três personagens satélites, o avô, a mãe e o pai.

O avô é um homem que trabalha bastante, a mãe é uma mulher sem perspectivas que muito provavelmente é uma prostituta (Mama was a mermaid / And a Carnaby Street gal) e o pai é uma homem que não está presente, provavelmente um marinheiro que tem uma família em cada porto.

Na sonoridade, Marina parecia estar experimentando com autotune, pois a voz dela soa robótica. Podemos ver que é uma experimentação de efeitos, não um recurso para melhorar o som, o que é louvável.

05 Simplify

Simplify aparece marcada como uma versão demo neste EP também, mas ela não está presente em nenhuma das edições deluxe do The Family Jewels.

Seguindo a música anterior e sua pegada mais dramática e dark, Simplify também traz essa sonoridade, como se fosse mais triste.

A letra traz quase uma ideia de esquecer os problemas porque as coisas são complicadas mesmo, quase num eco de Enjoy your Life, do Love + Fear. Porém, aqui ela traz que para algumas pessoas é fácil fugir do problemas, mas nem todo mundo tem uma casa de campo na qual se esconder.

06 Plastic Rainbow

Na última música do EP, temos uma sonoridade muito mais pop e todo um conceito que conheceríamos a fundo em Electra Heart: a ideia de não ser uma pessoa falsa.

A letra diz que a protagonista de música se tornou um arco-íris de plástico, que está derretendo em um milhão de multicoloridas mentiras. Ou seja, em mentiras bonitas, as únicas mentiras que as pessoas querem.

Existe uma experimentação de vocais aqui também, com um estilo mais puxado para o pop rock na enunciação e, inclusive, uma variação de gutural no último refrão. É algo muito diferente do que ela fez antes no EP e depois na carreira.

De maneira geral, essa é uma coleção de músicas muito interessante para entender de onde a Marina começou e o que fez com que os empresários de gravadores achassem que ela seria uma boa aposta.

Eu tenho muita curiosidade de ter a Marina revisitando as músicas do Mermaid Vs Sailor e tendo um novo take dessas letras e dessa sonoridade. O que será que mudaria?

 



Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *