Leitura beta, sensível e crítica: qual é a diferença entre elas

Leitura beta, sensível e crítica: qual é a diferença entre elas

Dentro do mercado literário, existem diversos serviços de leitura profissional para ajudar escritores a preparem seus manuscritos para publicação ou avaliação de editoras.

Os três tipos mais conhecidos são a leitura beta, a leitura crítica e a leitura sensível. Porém, você sabe dizer exatamente a diferença entre elas?

Pensando em ajudar você a descobrir o objetivo de cada uma, em que momento do processo de escrita elas são melhor utilizadas e as vantagens de cada serviço, eu trouxe a definição e aplicação de cada uma neste artigo.

O que é a leitura crítica?

A leitura crítica é a mais abrangente destes serviços e pode ser aplicada desde as primeiras páginas do manuscrito até sua versão final.

Esse tipo de leitura profissional, em resumo, aponta problemas na sua história.

A leitura crítica é um exame meticuloso do seu material, uma leitura que vai analisar a estrutura empregada, a jornada dos personagens, a forma do texto e a coesão.

No fim, você recebe uma avaliação do leitor crítico com apontamentos sobre o que você precisa trabalhar melhor no seu texto para que ele seja uma boa experiência para o leitor final.

Por exemplo, o leitor crítico pode identificar que seu texto tem um problema de ritmo e apontar que uma maneira de resolver é revisar os pontos-chave de mudança na história.

Ou também que determinada trama paralela está atrasando o plot principal, ou até que determinada personagem está sendo incoerente durante a narrativa.

Esse serviço vai apontar possíveis revisões de conteúdo que você pode precisar fazer, mas sempre respeitando o seu estilo de escrita.

Porém, fique atento, a leitura crítica não é revisão ortográfica. É uma avaliação de aspectos técnicos da contação de história. Se você está buscando a revisão ortográfica, precisa falar com um revisor.

O que é a leitura sensível?

Já a leitura sensível tem um objetivo diferente. Ela ainda busca por problemas, mas não com estrutura e coesão, e sim com a representação de temas, assuntos e personagens pertencentes à minorias sociais.

Submeter o seu manuscrito a um leitor sensível funciona para que ele analise se a sua história não está sendo preconceituosa com algum grupo prejudicado sem querer.

Nesse caso, é ideal que o leitor sensível, a pessoa responsável pela avaliação, pertença ao grupo que ela vai avaliar e que saiba como fazer essa avaliação pensando no coletivo.

Em 2020, a Editora Record enfrentou um backlash muito grande por ter lançado “A Cidade da Lua Crescente” sem fazer a devida leitura sensível da tradução brasileira.

Assim como a leitura crítica, acredito que você pode contratar o leitor sensível desde os primeiros capítulos. Ainda mais se você quer fazer a questão sensível tratada estar intrincada com o plot.

Por isso, se você tem personagens mulheres, LGTBQIA+, pessoas não-brancas ou neurodivergentes, por exemplo, considere passar sua história por um leitor sensível.

Isso porque você pode estar usando termos ou representações ofensivas mesmo sem saber.

O que é a leitura beta?

E a última parte desta tríade é uma velha conhecida de quem vem do universo das fanfics.

A modalidade do leitor beta (“betagem”ou “leitura beta”) acontece no final de todo o processo, depois de a história passar pela leitura crítica e sensível e pela mão de um revisor.

A leitura beta é, como o nome sugere, uma leitura feita antes que o livro chegue ao público-alvo como lançamento.

Nesse caso, o leitor beta tem o privilégio de fazer a leitura do livro antes de todo mundo e realizar sua avaliação como leitor da obra. E atenção nesse ponto, o leitor beta não é leitor crítico ou sensível.

Público-alvo: tudo o que você precisa saber, escritor

A avaliação dele é feita pelo ponto de vista do público-alvo. Por isso, é essencial que a leitura beta da sua história seja feita por alguém que faça parte do público-alvo do seu livro.

Isso porque o resultado da leitura beta é uma avaliação com carinha de resenha, onde o leitor profissional deixa sua opinião sincera sobre o que gostou, não gostou e o que mudaria.

É uma leitura teste, usada para saber se o livro já está pronto para chegar ao público-alvo ou ainda precisa de ajustes.

Não peça para um amigo fazer a leitura beta

Outro aspecto importante sobre a leitura beta é a pessoa que vai prestar esse serviço.

Especialmente entre os autores independentes, porque não temos como dispor dos recursos, é muito comum que nossos amigos e familiares sejam escolhidos como leitores beta. Porém, essa é uma armadilha perigosa.

Isso porque nossos amigos e familiares nunca vão conseguir nos dar o mesmo diagnóstico que um leitor beta profissional sem ter medo de nos machucar.

Se o seu livro não estiver tão bom assim, é bem possível que um parente ou amigo foque nas partes boas e encha você de elogios em vez de dizer onde você poderia melhorar.

Além do mais, esse amigo ou parente pode não ser o seu público-alvo e isso por si só já é prejudicial para ter noção real da sua obra.

E apesar de ser uma abordagem confortável, não é como deveria ser feito. Não se você quer lançar o melhor livro possível e crescer como autor profissional.

Em conclusão…

Todos os três serviços citados aqui são bastante importantes para que o seu livro esteja pronto para a publicação.

Porém, é essencial ficar atento aos objetivos de cada um e quando eles precisam acontecer no processo. Também é importante não confundir a função de um com o outro.

Não hesite em entrar em contato comigo se você ficou com alguma dúvida sobre os processos de leitura beta, leitura sensível e leitura crítica.



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