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Jogos Vorazes: uma distopia para entender o poder da mídia

Jogos Vorazes: uma distopia para entender o poder da mídia

Jogos Vorazes é uma trilogia de livros para adolescentes que trouxe a distopia para a literatura jovem. A história de Suzanne Collins segue Katniss Everdeen em um mundo injusto, cruel e sádico.

Nossa heroína cumpre seu papel como libertadora de uma nação, mas os livros não tem apenas a política e as inseguranças adolescentes como plano de fundo. A trilogia é um ótimo exemplo do poder da mídia.

A história se passa em uma América do Norte devastada pela guerra e dividida em 12 distritos, cada um especializado na produção de determinado bem de consumo.

Nossa protagonista nasce no mais pobre deles e se vê enredada em uma trama que pretende derrubar o governo ditador do país, chamado Panem.

Derivado do latim “Pão e Circo”, o nome do local nos dá o clima para a história: o governo utiliza o entretenimento para manter a população controlada.

Porém, não é qualquer entretenimento, mas um reality show violento e autoritário.

Jogos Vorazes, de Suzanne Collins

Há quase 75 anos, a capital de Panem promove os Jogos Vorazes, um evento televisionado para todo o país.

Nos jogos, dois adolescentes de cada distrito, totalizando 24 jovens, são reunidos em um cenário altamente tecnológico para lutarem até a morte.

O evento é vendido aos distritos como uma espécie de jogos olímpicos, mas tanto o leitor quanto os personagens de Suzanne Collins sabem que os jogos são apenas uma punição.

Logo no início do primeiro livro, descobrimos que os distritos se rebelaram contra a capital há 75 anos.

O objetivo da guerra iniciada era libertar os distritos do consumismo da capital, que concentrava a maior parte da renda, deixando o restante de Panem na miséria.

Na época, ainda existia um décimo terceiro distrito, que se torna extremamente importante no terceiro livro da trilogia.

Porém, mesmo tendo um objetivo nobre, os distritos perderam a guerra e das consequências do acontecimento surgiram os Jogos Vorazes.

Como castigo, mostrando que desafiar a capital é um erro, já que ela é muito poderosa, o governo exige, anualmente, que dois jovens de cada distrito lutem até a morte na arena.

Para o bem da trilogia, Katniss Everdeen vence sua edição dos jogos, expondo a podridão do governo e sua habilidade de controlar a mídia.

O poder da mídia em Jogos Vorazes

O controle da população por meio de entretenimento é um assunto bastante comum no gênero distópico. Em Fahrenheit 451, por exemplo, as pessoas são encorajadas a interagir com histórias frívolas o dia inteiro.

Porém, diferente dessas distopias clássicas, o papel da mídia em Jogos Vorazes não é apenas alienar ou oprimir. O objetivo principal, e o poder da mídia, aqui é o branding.

A reputação da capital é construída na televisão, noticiando as coisas boas que acontecem pelo país e levando os jogos vorazes para todos os lares.

Tudo isso, usando de violência e opressão sutis para lembrar à população quem manda.

A mídia em Jogos Vorazes é um canal para manipular a população a ter boas impressões sobre o governo e sobre quem souber se aproveitar dela.

Desde o primeiro livro da trilogia, Katniss entende que para conseguir sobreviver aos jogos, ela precisa da aprovação dos espectadores.

A manipulação da mídia

Para conseguir suprimentos no evento televisionado, precisa ser simpática e ter algo a mais que desperte a curiosidade da audiência.

Por isso, ela usa (inconscientemente) a morte de Rue e (conscientemente) o romance com Peeta.

Antes de sua primeira entrevista, Haymitch diz que ela precisa ser menos como ela mesma, que precisa ser menos bruta e arredia e mais aberta e simpática, mesmo que seja apenas um personagem.

Quanto mais os espectadores gostarem dela, mais tempo nos jogos ela terá.

É interessante que Katniss aprende essa lição tão bem que a usa até o terceiro volume da saga. Ela, inclusive, manipula sua edição dos jogos vorazes usando o romance que inventou com Peeta diante das câmeras.

Durante os acontecimentos do segundo livro, é pelas telas que Katniss descobre que vários distritos de Panem estão entrando em conflitos com a Capital.

Na sua segunda edição dos jogos, Katniss e Peeta também utilizam o poder da mídia para manipular a população.

Eles fingem um casamento para convencer o público de que são um casal que se ama, e que a narrativa de seu romance é verdadeira, e chocam a audiência para fazê-los desaprovar a 75ª edição dos jogos dizendo que Katniss está grávida.

A mídia é uma arma em Jogos Vorazes

Durante os dois primeiros livros da série, nós vemos essa arma sendo usada pela Capital. Contudo, durante os acontecimento do terceiro livro, vemos como os rebeldes também entendem esse poder e sabem como usá-lo.

Tendo Katniss como uma garota-propaganda, portanto, o Distrito 13 contrata profissionais de mídia (uma diretora de TV e dois cameraman) para televisionar as aventuras de Katniss por Panem.

Os rebeldes editavam e televisionavam essas gravações por um sinal pirata para que a população dos distritos entendesse a real situação do país.

Fazer essa constatação, então, abre os nossos olhos para o tipo de mídia e os canais de mídia que estamos consumindo.

Afinal, quem são as pessoas que produzem as notícias que lemos e assistimos? Também nesse sentido, quais são os canais que divulgam essas notícias?

Por fim, aprendemos com Jogos Vorazes que a mídia é um conjunto de ferramentas provendo informações que vêm de pessoas e, como vimos, podem servir para manipular, alienar ou oprimir.

O poder da mídia é, em suma, inegável e quem está no comando é quem escolhe.

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