Você não precisa escrever para todo mundo, e eu também não

Você não precisa escrever para todo mundo, e eu também não

Uma das dúvidas que mais me atingem enquanto escritora é a minha resistência em escrever em apenas um gênero literário. E junto com isso, eu acabo tendo outros problemas: a delimitação do meu público-alvo.

Eu já falei bastante aqui no blog sobre a importância de determinar o público-alvo desde o momento de criação de uma história.

Isso porque é essa delimitação de grupo de pessoas que vai guiar todas as ações de marketing e outras coisinhas que não parecem marketing, mas são. Por exemplo, a capa e a sinopse da publicação.

Porém, enquanto uma autora que não quer se delimitar em um gênero só, não nesse momento inicial da minha carreira, eu encontro o problema de não saber quem é meu público.

Por exemplo, se você escreve ficção científica, consegue saber mais ou menos quais são os interesses do seu público-alvo.

Você sabe, por exemplo, que alguém que gosta de Space Opera, muito provavelmente se interessa por tecnologia espacial.

Mas e quando você quer escrever em vários gêneros, como você delimita quem é seu público?

Eu estava passando por essa dúvida, junto à crise dos gêneros literários, quando tive uma luz que me ajudou um pouco. Talvez não seja a solução final para este tipo de dúvida, mas pode ajudar.

Meu namorado, que é o meu patinho de borracha de debug na maior parte do tempo, me disse que o meu problema não era o meu gênero literário, mas que eu não escrevia para todo mundo.

Segundo ele, as minhas histórias tratam sempre de “problemas femininos” e têm protagonistas femininas.

E que me facilitaria muito achar o meu público se eu escrevesse de maneira mais abrangente, falando sobre personagens masculinos também.

Num primeiro momento eu fiquei sem entender, mas depois a luz veio.

Era isso, eu podia não ter um gênero, mas eu tinha temas gerais e, assim como gêneros literários têm públicos, temas gerais também têm.

Eu gosto de escrever sobre o “universo feminino”, que, para definirmos aqui se trataria de um universo mais doméstico e intimista.

Infelizmente, a nossa sociedade associa o feminino com o interno, com a delicadeza e com o ambiente doméstico. Por isso, o uso dessa palavra aqui.

E nós percebemos que o mercado literário também usa essa denominação para divulgar uma história.

  • Se o livro tem uma protagonista feminina, o público-alvo vai ser formado por mulheres.
  • Se o livro fala sobre assuntos familiares, o público-alvo vai ser formado por mulheres em idade de serem mães ou avós.
  • Se o livro é mais pacato e se passa em ambientes internos, o público-alvo vai ser formado por mulheres em idade de serem mães ou avós que são donas de casa ou gostam de passar seu tempo livre em casa.

E está tudo bem porque um dos maiores acertos na hora de delimitar um público-alvo são os interesses.

Se esses são assuntos que interessam um público majoritariamente feminino, tudo bem. Até porque o marketing direcionado à mulheres não vai afastar homens que se interessam pelos temas.

Talvez eles leiam o livro escondido dos amigos? Talvez, mas eles ainda vão ler.

E a verdade é que eu não deveria estar me importando tanto assim em escrever para o maior grupo de pessoas possível porque isso pode dar uma caráter genérico que prejudica a história.

Sabe aquela ideia de que é preciso escrever sobre algo pequeno e único para que ele seja universal? É isso.

A gente não precisa escrever para todo mundo, a gente precisa escrever sobre o que a gente sabe.

Isso porque a nossa realidade pode ser parecida com a de muitas pessoas e não é a nossa intenção de que elas se identifiquem que vai trazer a identificação.

Nesse sentido, não é o trabalho do autor em escrever para todas as pessoas que vai fazer um leitor se identificar, é a própria vivência dele e as descobertas que ele faz com a história.

Portanto, eu e você não deveríamos tentar escrever para todo mundo, deveríamos escrever para as pessoas que vão gostar das nossas histórias. O resto vem com o tempo.

 



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