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Power and Control: a dinâmica do amor em Electra Heart

Power and Control: a dinâmica do amor em Electra Heart

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Em Power and Control, encontramos Electra Heart um pouco mais realista e questionadora. Aqui, as batidas da melodia são agitadas e dançantes, o que dá um aspecto forte à música.

Nesse ponto da história, Electra já percebeu que sua vida é uma mentira e que a ilusão de casamento perfeito não vai durar mais muito tempo.

Ela volta os olhos para a dinâmica de um relacionamento e como o mundo espera que tudo aconteça.

O clima em Power and Control é parecido com Homewrecker, com uma voz racional e magoada vindo à tona, enxergando a realidade das coisas.

Aqui, Electra acusa a maneira egoísta com que ela e o marido aprenderam a amar.

Assim como, revê as práticas desse relacionamento, tanto para responder aos seus anseios quanto para tentar mudar alguma coisa.

O jogo do amor em Power and Control

A letra de Power and Control está cheia de ironias e nos dá passos e regras da mesma maneira que os conselhos amorosos que pedimos a amigos e familiares.

De maneira geral, tudo o que ouvimos durante a música é um resumo do jogo do amor.

“Give a little, Get a lot
this is how you are with love”

A letra já começa brincando com a máxima de receber mais amor do que entregar. Vivemos em uma sociedade que não aceita a “humilhação” por amor, portanto quanto menos ficarmos expostos nesse jogo, melhor.

A verdade é que amar e mostrar que ama se tornou um sinal de fraqueza. Quem expõe seus sentimentos e quem corre atrás do amor é visto como alguém que se humilha.

Electra percebe essa dinâmica bastante egoísta, mas nós vemos o quanto ela teve vantagem com isso quando olhamos para Bubblegum Bitch e Primadonna.

Power and Control traz uma visão pouquíssimo romântica do amor e é justamente o que Electra está precisando.

Ela entende que essa dinâmica já vem pronta há séculos e que essa receita sempre traz um “dono” para o casamento, alguém que dará menos para receber mais.

Homens machistas querem mulheres submissas

A letra nos traz uma questão importante sobre esse relacionamento: alguém precisa ser submisso e alguém precisa ser o dominador, ou então, o jogo vira uma guerra. No refrão, Electra diz que:

“women and men are the same
but love will always be a game
we give and take a little more
eternal game of tug and war”

Homens e mulheres são iguais em sua condição de seres humanos, mas diante da sociedade, não é bem assim.

Muitas pessoas ainda acreditam que existem papeis específicos para cada um dos gêneros, especialmente no que tange os relacionamentos.

O homem paga a conta, a mulher lava os pratos, o homem trabalha fora e a mulher cuida da casa.

Por conta de uma condição biológica (mulheres geriram crianças), sempre foi delegado à elas o papel da submissão.

Cuidar das crianças e se trancafiar em uma caverna fazia sentido quando vivíamos no tempo das cavernas, mas, infelizmente, muitos relacionamentos ainda são construídos dessa maneira.

Como a história de Electra tem como inspiração os anos 50 e 60, essa dinâmica faz bastante sentido para a sociedade em que ela vive.

Electra precisa ficar em casa e cuidar do jantar, enquanto o marido trabalha, mesmo que esses papeis não faça nenhum dos dois feliz.

Os papeis sociais em “Foi apenas um sonho” (2008)

Um filme que resume essa dinâmica é “Foi apenas um sonho” de 2008. A história envolve um casal vivendo o sonho americano deste período.

Os dois têm uma dinâmica de casal bastante saudável e interessante até que os costumes sociais interferissem. Eles se apoiam, tomam decisões juntos, se respeitam e são amigos, acima de tudo.

A esposa é interpretada por Kate Winslet, uma mulher inteligente e bastante racional. Ela cresce na história por conta de suas opiniões claras e acertadas e por ser uma rocha para o marido.

Sem ela, o marido, interpretado por Leonardo DiCaprio, não é nada.

Eles nunca viram nada estranho na relação, mas o marido começa a se relacionar com colegas de trabalho mais velhos e tradicionais e tudo começa a desabar.

Em uma última tentativa para tentar ser feliz, a esposa sugere que os dois se mudem para Paris.

Ela fala francês e diz que pode trabalhar como secretária para pagar as contas enquanto o marido aprende o idioma e busca um trabalho.

Ele aceita e tudo estaria ótimo se o marido não tivesse contado o plano para os amigos do trabalho, que o atacam.

A masculinidade dele foi questionada e o destino dos dois é bastante trágico.

Enquanto isso, o que nos interessa nessa história é que uma dinâmica datada pode influenciar a vida de duas pessoas a ponto de estragar o companheirismo que ambos tinham.

Um jogo entre protagonistas e coadjuvantes

Electra Heart sempre foi acostumada a ser o centro das atenções.

Contudo, quando falamos no seu casamento, ela é quem se anula. Tudo porque ela imaginava que esse era o caminho mais fácil até seu sonho.

No último verso da música, entretanto, Electra fala em primeira pessoa e diz que sua vida inteira foi controlada.

Nesse ínterim, ela se incorpora no tema e podemos interpretar essa relação de duas maneiras.

Electra nunca dominou um relacionamento e também não dirige a própria vida.

Em resumo, essa é uma linha bastante importante na letra porque a próxima frase sugere uma mudança radical no que está por vir.

Ela diz que não se pode ter paz sem guerra. Em suma, isso significa estar pronta para lutar pelo controle de si própria, seja no casamento ou consigo mesmo.

“‘Cause all my life I’ve been controlled
You can’t have peace without a war”

Por fim, essas duas linhas são uma revelação para nossa protagonista e determinam o tom do restante do álbum.

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