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State of Dreaming: Electra Heart celebra Marilyn Monroe

Electra Heart: celebrando Marilyn Monroe em “State of Dreaming”

Marina já declarou, e veremos como isso fica claro durante a análise, que state of dreaming, música de Electra Heartfala sobre a carreira, a persona e a vida de Marilyn Monroe.

Marilyn faleceu em 1962, depois de ter passado a década de 50 atuando na Era de Ouro do cinema americano e de ter se tornado um ícone de moda, beleza e sensualidade.

Ela é parte atuante da cultura pop, um sex symbol e uma referência para muitas pessoas como “A” mulher. Mas Marilyn não nasceu Marilyn.

Norma Jean Mortenson era uma menina simplória e de origem humilde. Ela nasceu em Los Angeles em 1926 e se tornou modelo quando foi descoberta trabalhando em uma fábrica em 1944, quando tinha 18 anos.

O pulo para o cinema aconteceu em 1946 e essa foi uma transição dolorosa para ela porque não exigiu apenas talento, mas diversas cirurgias plásticas e um alter ego.

 

 

Marilyn Monroe: um alter ego criado pela mídia

Um dos fatos mais interessantes sobre Marilyn Monroe é que ela é uma personagem criada por empresários e produtores de cinema e endossada por Norma Jean. O que só aconteceu porque a moça queria ter êxito no seu sonho: se tornar uma atriz.

Marilyn Monroe é linda, envolvente, sensual e encantadora. Mas também era alguém difícil de se lidar e alguém que carregava muitos fantasmas.

A bomba loira de sensualidade era uma persona criada para chamar a atenção das pessoas, encantá-las e convencê-las de que Norma Jean merecia um lugar na indústria do cinema. Muito embora ela não fosse considerada uma boa atriz por críticos da época.

Norma Jean sempre sonhou com a vida de atriz, com a fama, com as festas e com o glamour. E foi o sonho de vivenciar isso tudo que a impulsionou a perseguir a carreira. E a mudar praticamente tudo sobre si própria.

Norma Jean e sua relação com Marilyn

Norma Jean queria a vida perfeita e glamorosa que ela via nos filmes. Ela queria ser perfeita para ser adorada. Então, acatou as modificações corporais e a nova identidade para poder ter uma vida em que se sentisse relevante.

Norma Jean precisou se esconder para viver seu sonho enquanto Marilyn ganhava o mundo.

O filme “Marilyn e Norma Jean“, de 1996, conta a história desse ícone desde a infância, usando duas atrizes para encenar a dinâmica entre a pessoa e a persona.

É interessante apontar que Marilyn tem recorrentes flashes de Norma Jean durante a segunda metade do filme, mostrando que, apesar de ser outra pessoa agora, sua personalidade original não foi embora.

Outro filme que explicita a ideia de que Marilyn é apenas uma personagem é “My Week With Marilyn“, de 2011, onde, em uma cena em que Marilyn avista paparazzis, ela diz: “devo ser ela?”.

Claramente, Marilyn Monroe é uma grande inspiração para a história de Electra Heart, já que as duas têm jornadas parecidas no que se refere à criação de personas para se adaptar ao mundo.

Sonhar é melhor do que viver

Enquanto Norma Jean, Marilyn Monroe sonhava em ser atriz e ter a vida maravilhosa que ela imaginava que as mulheres do cinema tinham.

Ela desejava ser importante como elas, então depositou todas as suas esperanças e esforços em realizar esse sonho.

Quando chegou lá, entretanto, depois de ter mutilado seu corpo e sua personalidade, ela percebeu que nada era como parecia ser.

Ela não era feliz, não era adorada por seus maridos, era considerada uma atriz medíocre e não conseguiu extinguir os problemas que Norma Jean tinha.

Em determinado momento, Marilyn declarou que “sonhar em ser uma atriz é muito melhor do que ser uma”. Isso alude sua luta em ser levada a serio e como foi difícil chegar onde estava na carreira.

Ela esperava estar completa, feliz e realizada quando ganhasse fama, mas se encontrou vazia.

Norma Jean perseguiu a ideia de ser uma atriz e não o que isso significava de fato. É sobre isso, sobre perseguir a ideia de alguma coisa e não a coisa em si que State of Dreaming vai girar em torno.

Electra Heart em busca do sonho

Nessa música, encontramos Electra ainda imersa em um relacionamento, mas começando a apresentar sinais de desconforto com sua vida.

State of Dreaming fala sobre a busca pelo sonho, mas também fala sobre a desilusão em que essa busca pode se transformar.

Desde tenra idade, Electra acreditou que ser a esposa perfeita traria felicidade, então resolveu correr atrás desse sonho. Agora que o encontrou, entretanto, ela viu que esse ideal não existe.

Electra estava buscando a ilusão, uma propaganda sem fundamento de um dia a dia exaustivo e que não dava retornos.

Aqui, ela passa a desacreditar na vida perfeita que criou para si mesma e percebe que não está vivendo na realidade dos fatos. Ela começa a desconfiar que está fingindo e atuando em uma peça sem plateia.

No segundo verso, entendemos a mágoa de Electra quando ela diz:

 

“all I really wanted is to be wonderful
people in this town they
they can be so cruel”

Ela expressa na letra seu desejo de ser maravilhosa e acusa pessoas da cidade de serem más. Mas quem seriam essas pessoas cruéis?

Pensando em Marilyn nesse contexto, sabemos que essas pessoas são os envolvidos na indústria cinematográfica: críticos, diretores e atores.

Mas quando trazemos a ideia para a realidade de Electra, que vive em uma sociedade inspirada nos anos 50 e 60, as pessoas cruéis são seus vizinhos, amigos e parentes.

Mesmo sem perceber, essas pessoas formam uma sociedade que coloca o peso do sucesso de um casamento nos ombros da mulher.

Talvez essas pessoas sejam como a mãe da personagem de Kirsten Dunst em “O Sorriso de Monalisa”. Pessoas apegadas a tradicionalismos e que acreditam mais nas convenções sociais do que na felicidade.

Um sonho do qual não se está pronto para acordar

Ainda em State of Dreaming, temos um trecho revelador sobre os motivos que levaram Electra a essa vida.

Ela diz que “sempre viveu com medo”. Até agora, aprendemos que nossa protagonista não teve uma boa relação com seus pais e que nunca teve um relacionamento amoroso saudável.

Ela sempre viveu com medo de não ser amada a vida inteira e nos apavora ao falar sobre o fim da linha (“If only you knew my dear how I know my time is near”), mesmo que esse fim seja metafórico.

É interessante notar que, aqui, Electra está retomando o controle. Ela sabe que sua vida é uma mentira e sabe que, mais cedo ou mais tarde, as cortinas de um espetáculo precisam fechar.

O fim de Electra ainda está longe. Sabemos disso porque ela diz em State of Dreaming que “venderia a minha alma arrependida se eu pudesse ter tudo”.

Isso significa que ela ainda acredita que a vida perfeita possa existir e que ela ainda poderá ter tudo.

Electra se agarra às últimas esperanças. Assim como diz a música (“living on their last hope”) quando se refere aos fantasmas que circundam tal citação.

A famosa citação de Marilyn Monroe

Marina abre a letra de State of Dreaming dizendo que milhões de fantasmas flutuam ao redor de uma citação. Essa linha pode fazer referência à algumas das entrevistas em que Marilyn declarou estar “vivendo o sonho”.

Ela tem muitas citações interessantes, aliás, algumas extremamente reveladoras para a análise de Electra Heart.

As duas têm jornadas muito parecidas e essa música deixa esse aspecto muito claro. Ambas buscam a perfeição, sacrificam a si próprias, vivem por trás de personagens e apenas queriam ser amadas.

No fundo, ambas são tristes e acabam vivendo o sonho pelo qual percorreram todo aquele caminho apenas quando sonham.

 



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