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Como os 13 tipos de corpos de Kibbe podem ajudar na descrição de personagens

Como os 13 tipos de corpos de Kibbe podem ajudar na descrição de personagens

Marcações:

Ainda nos anos 1980, David Kibbe publicou no livro Metamorphosis uma teoria muito interessante sobre tipos de corpos: existem 13, e classificar o corpo humano nesses 13 tipos ajuda a descobrir quais roupas têm o melhor caimento para cada pessoa.

Mas o que Kibbe tem a ver com a descrição de personagens numa história? Numa primeira olhada, absolutamente nada.

Porém, eu acredito que entender as descrições de cada um dos tipos de corpos e a classificação em Yin e Yang dada por Kibbe pode ajudar escritores a descrever melhor o físico de seus personagens sem cair em clichês.

Além disso, pode ajudar a fazer contrapostos entre personagens usando a técnica do mostrar e não contar.

E se ainda parecer confuso, continue lendo porque eu vou explicar!

Você vai conferir:

Quem é Kibbe e o que é sua teoria?
Os 13 tipos de corpos de Kibbe
Romântico
Dramático
Clássico
Gamine
Natural
E como tudo isso se aplica na descrição de personagens?

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Quem é Kibbe e o que é sua teoria?

David Kibbe é um stylist especializado em makeovers, ou seja, modificar a imagem física de uma pessoa para refletir quem ela é por dentro.

Como o próprio Kibbe diz em seu site, antes de sua teoria, os makeovers abrangiam apenas mudanças cosméticas, como corte de cabelo e maquiagem.

Porém, grande parte de como uma pessoa se apresenta para o mundo está nas roupas. Por isso, Kibbe criou a teoria que apresentou em seu lendário livro.

Na teoria, ele explica que existem 13 tipos de corpos (divididos em 5 grandes categorias e em duas grandes vertentes) e que cada um desses tipos teria linhas e formas próprias que deveriam ser complementadas por roupas que seguissem essas mesmas linhas e formas.

Criando, assim, uma imagem que apenas valorizasse o tipo de corpo em questão.

Este é David Kibbe, que se classifica como Romântico Teatral.

É importante ressaltar algumas coisas antes de continuarmos:

  • Apesar de ter nascido como uma teoria para corpos femininos, o teste de Kibbe pode ser aplicado em homens (como é possível ler neste artigo);
  • Não existe um tipo de corpo ideal na teoria de Kibbe, todos os corpos têm traços positivos e a ideia da teoria é valorizar esses traços positivos, enaltecer as linhas e formas.
  • A teoria de Kibbe não lida apenas com corpos magros, mas com corpos em todos os pesos. As linhas e formas continuam as mesmas em uma pessoa com sobrepeso, pouco peso ou de peso “normal”.
  • Existem algumas crítica à teoria sobre a falta de exemplos negros, indígenas e orientais em cada um dos tipos, mas os seguidores de Kibbe têm feito um ótimo trabalho em acrescentar outras etnias aos exemplos. E por seguidores, eu me refiro especialmente à Aly ArtMerriam Style, que falam sobre a teoria e dão dicas de styling no YouTube.

Os 13 tipos de corpos de Kibbe

Primeiramente, é necessário esclarecer que a teoria de Kibbe se baseia nas linhas e ângulos que o corpo humano têm. Por isso, tudo o que for dito aqui é baseado nisso.

Seguindo essa ideia, o stylist acredita que existem duas grandes classificações que as linhas do corpo humano podem seguir: Yin e Yang.

Enquanto Yin, as linhas são curtas e delicadas, seguem um caminho mais arredondado e suave. E enquanto Yang, essas linhas são mais longas e afiadas, fazem ângulos mais retos e diretos. Muitas vezes, essas duas classificações podem ser encaradas como as definições de feminino e masculino para a moda.

  • Yin: delicado e suave – “feminino”
  • Yang: afiado e anguloso – “masculino”
As diferenças entre os extremos. Marylin é o tipo romântico, enquanto Keira é o tipo dramático. A imagem é de autoria do site The Concept Wardrobe.

E Kibbe diz que todos os seres humanos têm essas duas vertentes. Elas podem se apresentar de maneira pura em algumas pessoas ou bastante misturadas em outras.

Por isso, ele definiu a influência dessas vertentes em 5 grandes categorias (e algumas subcategorias):

Romântico

É a categoria de corpos completamente Yin. São pessoas mais baixinhas, com formas e ângulos arredondados, têm ossos curtos e finos e carne fofa e suave.

Normalmente, os tipos românticos são mulheres voluptuosas e com curvas. Os maiores exemplos de um corpo romântico são Marylin Monroe e Beyoncé.

Ainda dentro desse tipo, temos um subtipo, o Romântico Teatral. Essa subcategoria ainda fala sobre linhas curtas e suaves, mas os corpos nessa categorias começam a carregar um pouco mais de drama.

Normalmente são corpos um pouco mais angulosos e exagerados (embora ainda suaves e delicados). Dois exemplos são as atrizes Salma Hayek e Rachel McAdams.

Beyoncé representa o tipo romântico, enquanto Salma Hayek é o tipo romântico teatral.

Dramático

Do outro lado do espectro, completamente Yang, estão os corpos dramáticos. Ou seja, aqueles altos e longilíneos, com ossos compridos, terminações angulosas e carne menos suave.

Dois grandes exemplos de um corpo dramático são as atrizes Tilda Swinton e Keira Knightley.

Dentro dessa categoria, nós ainda temos uma subcategoria, o tipo Suave Dramático. Os corpos nessa subcategoria ainda são longos e afiados, mas começam a apresentar mais curvas e um pouco mais de suavidade.

Dois exemplos são as atrizes Sofia Vergara e Rachel Weisz.

Keira representando o tipo dramático e Rachel, suave dramático.

Clássico

O tipo de corpo clássico é o que se encontra exatamente no meio entre o romântico e o dramático.

São corpos que misturam tão bem as características Yin e Yang que é completamente impossível definir o que é romântico e dramático em seus corpos. Normalmente são corpos com linhas bastante medianas, nem delicados demais e nem afiados demais.

Os exemplos de corpo clássico mais conhecidos são as atrizes Grace Kelly e January Jones.

Dentro dessa categoria, nós temos outras duas categorias: Clássico Suave e Clássico Dramático. No tipo clássico suave, as linhas, apesar de serem bem misturadas, apresentam mais suavidade (um exemplo é a atriz Kristen Dunst).

E no clássico dramático, o contrário. Apesar de ainda apresentar a mistura, as linhas são mais longas e afiadas (aqui, temos a atriz Diane Kruger).

Kirsten representando o tipo clássico suave, January é o tipo clássico puro e Diane como clássico dramático.

Gamine

O tipo de corpo Gamine, também chamado de Garota em português, é um tipo de mistura as características Yin e Yang também, mas de uma maneira diferente do tipo clássico.

Uma Gamine tem característica misturadas da seguinte maneira: pode ter ossos românticos, mas carne dramática. Pode ter feições delicadas, mas num corpo mais musculoso e reto.

Enquanto o tipo clássico mistura as duas vertentes no liquidificador, o tipo Gamine é quase um quebra-cabeças.

Além disso, os corpos Gamine costumam ter uma essência jovem, quase como se parecessem adolescentes por muito mais tempo do que os outros tipos. O maior exemplo de um corpo Gamine é a atriz Audrey Tautou.

Dentro desse estilo, temos duas subcategorias: Gamine Suave (ou Garota Suave) e Gamine Extravagante (ou Garota Extravagante).

No primeiro tipo, as linhas dramáticas costumam se concentrar mais nos ossos e nos ângulos, enquanto as linhas românticas se apresentam na carne e nas feições. Um exemplo é a atriz Jenna Coleman.

Já no segundo tipo, a carne é mais dramática e musculosa e os ossos são um pouco mais curtos, mas também são angulosos. É como se a Gamine Extravagante fosse uma espécie de tipo dramático mais baixinho. Um exemplo é a cantora Lady Gaga.

Maisie Williams como Gamine Suave, Emma Watson representando o tipo Gamine puro e Lady Gaga como Gamine Extravagante.

Natural

E por último, o tipo natural é um tipo de corpo bastante parecido com o dramático, mas ele tende a ser muito mais musculoso. As linhas do corpo natural são longas, mas também são mais largas.

Um exemplo clássico de um corpo natural é a atriz Jennifer Aniston.

Assim como todos os tipos anteriores, o tipo natural também tem subcategorias. Aqui são os tipos Natural Extravagante e Natural Suave.

No primeiro tipo estão muitas das mulheres modelos, um corpo mais alto, magro e atlético, com ângulos menos afiados, mas ainda com carne dramática. Um exemplo é a modelo Cindy Crawford.

E no segundo tipo, Natural Suave, as linhas ainda são musculosas, mas costumam ser mais curtas. Esse tipo ainda tem um corpo mais reto, mas costuma ter uma carne mais suave. Um grande exemplo é a cantora Shakira.

Shakira como Natural Suave, Jennifer Aniston é Natural puro e Cindy Crawford é o tipo Natural Extravagante.

Para concluir, a teoria de Kibbe estuda os mais diversos tipos de corpos não apenas para classificá-los. A importância desse estudo está em encontrar as roupas e estilos que funcionam melhor para cada tipo de corpo levando em consideração as linhas, formas e essência.

Por exemplo, para tipos Yin é indicado o uso de rendas, modelagens mais leves e linhas que aderem aos círculos do corpo. Agora, para os tipo Yang, o que complementa melhor são ângulos retos, tecidos mais rígidos e linhas longas.

Tudo é uma questão de styling.

E como tudo isso se aplica na descrição de personagens?

Agora que já entendemos como funciona as grandes características dos tipos de corpos de Kibbe, vamos entender como aplicar tudo isso na descrição de personagens.

A primeira coisa que precisamos entender é que corpos humanos são diferentes uns dos outros e que temos que abraçar essa ideia na escrita.

1. Explorar a diversidade de corpos

Mais do que nunca a diversidade e a representatividade se fazem importantes, então a primeira ideia que podemos extrair da teoria de Kibbe é que podem existir, pelo menos, 13 tipos diferentes de corpos que podemos descrever.

Sabe quando os autores de YA descrevem todas as protagonistas da mesma maneira? Faça diferente.

Explore a diversidade de corpos na descrição dos personagens distribuindo as caraterísticas que vimos acima.

Por exemplo, a protagonista vai ser do tipo modelo (descreva uma mulher Natural Extravagante), a diretora da escola vai parecer mais nova do que ela realmente é (jogue características do tipo Gamine) e o namorado dela vai ser um adolescente com quem os outros alunos praticam bullying porque acham que ele é gay (descreva um homem com características românticas).

A ideia é você conseguir apresentar personagens palpáveis não apenas na personalidade, mas na descrição física também.

Créditos da foto: Charli Howard e Clementine Desseaux.

2. Vocabulário diferente para descrição de corpos

Outra contribuição interessante da teoria de Kibbe para a descrição de personagens é o vocabulário diferente. Quando temos um personagem alto e magro, a gente sempre descreve como alto e magro.

Mas e se usássemos a teoria para descrever essas características dramáticas de um modo diferente? O personagem passa a ser longilíneo e estreito.

E uma mulher com características românticas? Que tal dizer que ela tinha linhas arredondadas, que o corpo dela era marcado por círculos e formas suaves? Esses podem não ser os melhores exemplos.

Mas a ideia aqui é que você use descrições diferenciadas para corpos diferentes.

3. Criar contraste claro entre personagens

A última contribuição que eu noto vir da teoria de Kibbe para a descrição de personagens é criar contraste entre eles.

Naturalmente, nós acabamos por criar contrastes entre personagens com descrições e ideais: a mocinha é pequena e morena, enquanto a vilã é loura e alta. Porém, essa diferença pode ficar mais clara usando os tipos de Kibbe.

Ontem mesmo eu sentei para escrever e decidi que ia ter uma protagonista Gamine Suave e um mocinho, dramático. Isso porque eu queria mostrar o contraste entre os dois.

Eles são pessoas completamente diferentes e descrever corpos diferentes, especialmente no início da história, já mostra para o leitor que aquela relação é improvável.

Cena do filme The Duff – a protagonista é a atriz na direita.

Um exemplo dessa ideia feito em filme é The Duff, um filme adolescente. A protagonista se sente deslocada entre suas amigas e se formos analisar, a protagonista é um tipo Yin, enquanto suas melhores amigas são Yang.

Visualmente, a história apresentou essa diferença, mesmo que isso vá se provar representar nada no fim das contas, já que corpos são apenas corpos.

Porém, a descrição de personagens contrastantes pode ser um recurso narrativo efetivo.

E é isso…

Apesar de parecer um tópico completamente maluco, acredito que eu tenha conseguido expressar como a teoria de Kibbe pode nos ajudar a descrever corpos nas histórias.

O que você achou? Ajudou de alguma forma ou complicou mais as coisas?

Enfim, continue acompanhando o blog para não perder nenhum conteúdo e boa sorte com a sua descrição de personagens!

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