Depois de 12 anos, eu resolvi fazer uma releitura de Crepúsculo, da Stephenie Meyer

Depois de 12 anos, eu resolvi fazer uma releitura de Crepúsculo, da Stephenie Meyer

A primeira (e mais última) vez que eu li Crepúsculo, da Stephenie Meyer, foi lá em 2008.

Eu tinha 18 anos e estava explorando um blog que falava sobre literatura sobrenatural jovem-adulto quando vi fotos da futura adaptação.

E as fotos me deixaram interessada em conhecer a história do vampiro que se apaixona por uma adolescente.

Ajudou que esse fosse um dos primeiros livros que eu lia por vontade própria, com gosto pela história e que o clima do lado de fora da minha casa estivesse parecido com Forks.

Eu moro em Porto Alegre, então naquele mês de agosto estava frio e úmido.

Na época, eu gostava tanto de Crepúsculo que eu abri uma comunidade no (falecido) Orkut para reunir pessoas que gostavam tanto quanto eu para que gravássemos um audiobook.

Aliás, você pode ouvir os 12 primeiros capítulos no YouTube.

O que me motivou a reler Crepúsculo depois de 12 anos

Foi a notícia de que Sol da Meia-Noite seria publicado oficialmente que me deixou com muita vontade de fazer uma releitura desse livro.

Agora mais madura e tendo uma bela bagagem literária, eu achei também que seria uma ótima oportunidade para rever essa histórias e reavaliar o tanto de opiniões negativas que existem sobre a história na internet.

E depois de fazer a releitura, eu cheguei à conclusão de que… poderia ter sido pior.

A Bella é uma personagem interessante

O que mais me impressionou na leitura é que eu achei a Bella muito interessante e cheia de camadas.

A minha primeira impressão foi de que ela tem um humor ácido, mas é muito educada.

A gente percebe as piadas que ela faz na narrativa interna, apenas no pensamento da personagem, mas em momento algum ela diz para os outros que está se sentindo incomodada.

Isso também é uma parte muito importante da personalidade dela.

A Bella se doa completamente em prol de todas as pessoas com quem ela se importa, e isso chega a ser perigoso porque cria nela uma falta de amor próprio.

A Bella é uma personagem, então, muito altruísta, mas no sentido destrutivo da palavra.

E isso porque ela praticamente teve que se criar sozinha, tendo uma mãe que mais parece filha dela, e longe do pai.

A Bella é fechada, tem essa facilidade em se autodepreciar e acha que é menos interessante do que realmente é.

Eu terminei a leitura achando que essa personagem sofre de uma baixa autoestima muito grave, que é a raiz da dependência que ela tem com o Edward e de sua falta de senso de autopreservação.

O Edward é muito abusivo e manipulador

Logo no início da história, a gente já tem uma amostra de como Edward é um personagem abusivo.

Ele manipula a Bella de uma maneira muito sutil, além de usar os poderes dele (sejam eles poderes de vampiro ou a atração que a Bella sente por ele) como forma de convencê-la a agir como ele quer.

É de se notar também como ele está sempre dizendo para ela que ele é perigoso, que ela deveria se afastar dele, porém ele é quem não se afasta.

Ele não deixa ela seguir com a vida dela, Edward sempre está por perto.

E isso acaba funcionando como um gaslight para ela, como se a presença dele fosse por vontade dela.

Em resumo… Crepúsculo é bom, mas não para adolescentes e não como um romance

O que eu fiquei pensando depois dessa releitura foi que Crepúsculo não é um livro ruim, ele é um livro bom.

Porém, ele não é um livro para adolescentes e ele não é um romance. Pelo menos, não deveria ter sido.

O relacionamento entre a Bella e o Edward é, sem sombra de dúvidas, um relacionamento abusivo e a verdade é que, enquanto adolescentes, a gente não percebe as nuances e as manipulações.

O mais interessante seria fazer a leitura de Crepúsculo com maturidade suficiente para entender os problemas da obra e como evitar algumas situações na vida real.



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