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escrevendo em papel

Como construir um bom universo fantástico? Essas são as dicas de escritores

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A 6ª Odisseia de Literatura Fantástica aconteceu em agosto e dois painéis do evento falaram sobre a criação de um bom universo fantástico. O primeiro deles ocorreu no sábado, dia 24, e o outro no domingo, dia 25.

O painel Fantasismo e a Re(construção) de mundos fantásticos trazia uma discussão sobre o método de criação de mundos como tema, as ferramentas usadas e como os autores faziam suas pesquisas.

Tendo a presença de André Cordenonsi, Bernardo Stamato, Ana Lúcia Merege, Simone O. Marques e Leandro Pileggi, esse painel apresentou muitas abordagens diferentes para a criação de mundos.

Já no domingo, tivemos o painel Como criar um universo ficcional de fantasia com as autoras Nikelen Witter, Cristina Pezel, Karen Soarele e Kátia Regina Souza.

Esse painel focou na construção do mundo em si, em como as autoras buscavam inspiração e onde estavam suas influências.

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Dicas de autores para construir um bom universo fantástico

Como ambos os painéis tiveram assuntos parecidos, eu trouxe as principais questões trazidas pelos autores neste artigo. Confira:

De onde vem a fagulha da inspiração?

Muitas das falas dos autores nos dois painéis focaram na inspiração e na pesquisa.

De onde surge a primeira fagulha para uma história e quais são as ferramentas utilizadas para desenvolver um mundo a partir dessa fagulha.

Foi interessante ver como cada autor tem a sua maneira de criar e de se inspirar.

Enquanto uns buscam desenvolver o máximo que podem e ter quantas inspirações forem possível, outros preferem somente deixar a história acontecer.

Uma dica incrível que Nikelen trouxe foi o uso do “e se” e do poder que se abrir às possibilidades traz.

Às vezes, apenas se deixar imaginar o que teria acontecido caso um evento histórico nunca tenha ocorrido, por exemplo, já entrega o material e inspiração necessária para escrever.

Muitos dos autores citaram mitologias variadas e culturas anciãs como suas inspirações também.

E quanto a isso, a principal dica oi: muitas vezes, distorcer uma cultura para o nosso próprio ponto de vista pode ajudar a criar um mundo completamente novo.

E qual o papel da pesquisa na criação de um universo fantástico?

Quando a ideia já está formada, chega o momento da pesquisa. E quanto se precisa pesquisar para ter uma história bem construída?

Nenhum dos autores conseguiu responder, já que cada um vê essa questão de maneira diferente.

Muitas vezes, como citou Ana Lúcia, a sua pesquisa já está sendo feita há muitos anos e você, como autor, nem percebe.

Pode ser algo que você já gosta de ler, um conteúdo que você já consome ou um interesse que carrega desde criança.

Sem querer, você está cheio de inspiração e embasamento sem nem precisar procurar muito. Outras vezes, você vai precisar ler e buscar mais informações. Porém, será que pesquisar demais atrapalha?

Como se ater às regras e verossimilhança?

Uma das maiores preocupações de quem escreve fantasia é ser verossímil dentro do mundo que criou. E para amenizar essa preocupação, os autores citaram as regras que criaram para os seus mundos.

Ana Lúcia teve um discurso muito interessante sobre a verossimilhança da magia, por exemplo.

Se existe um deserto na sua história e também um mago que consegue conjurar água sem preço algum, então esse deserto não é mais verossímil.

Ela trouxe também a importância de pensarmos nas regras do nosso próprio mundo, em questão de sociedade e cultura, para tingir o universo fantástico. Confira no vídeo abaixo:

E uma grande preocupação dos autores é justamente conseguir se ater às regras criadas e não serem esmagados por elas.

Nikelen observou que as regras de governança podem mudar, mas as do mundo físico, não. Ainda mais se o autor está pretendendo escrever mais de um livro.

Todas as autoras trouxeram que mudar algo sobre a dinâmica do universo de um livro para o outro é traição com o leitor, que não esperava que as regras já estabelecidas mudassem.

Karen traz uma contribuição interessante sobre regras de mundo em uma série de livros. Veja:

De acordo com a autora, o planejamento de mundo e as regras apenas podem ser escritas uma vez. Especialmente depois do primeiro livro, não se deve mexer mais nas regras.

Quais são as ferramentas usadas para construir universos?

Uma pergunta muito interessante feita no painel de sábado foi sobre como os autores se mantém ligados à todos os pontos-chave da história e do universo, quais são as ferramentas que eles usam para não esquecer de nada.

E, nesse sentido, as respostas foram diversas:

  • resumos com os pontos-chave mais importantes e acontecimentos essenciais;
  • usar fichas de personagens e cenários;
  • reler o livro sempre que for escrever, mergulhar na história e seguir do ponto que falta;
  • não utilizar método.

O que mais chama a atenção sobre isso é que todos os autores citaram ferramentas diferentes, mas as consequências de todas elas são a mesma: muitas informações.

E, para que o leitor não seja esmagado por informações demais, os autores também trouxeram soluções de como apresentar a história, e as informações extras. Dê o play:

E por fim, eu gostaria de trazer uma provocação (que, inclusive, foi uma provocação feita no painel de sábado): será que jogar RPG, e ter familiaridade com as fichas de personagens e cenários, ajuda um autor a criar um universo fantástico melhor?

Como construir bons personagens?

Outro ponto importante levantado pelos autores foi a construção de personagens.

De nada ainda termos um universo impecável se não sabemos como construir personagens com os quais as pessoas se importam e se identificam.

Contudo, nunca construa um personagem forte demais, que não tenha meios naturais de ser derrotado.

Dessa maneira, caso isso aconteça, a utilização de deus ex-machina acaba sendo inevitável e ninguém quer ler uma história com uma solução tirada da manga.

Além disso, um personagem sem falhas ou fraquezas nunca será identificável para os leitores.

Quando lemos uma história, o que nos faz continuar, além de uma trama interessante, é a identificação com os personagens, nos aproximar deles e entendê-los.

Uma fala de Nikelen sobre fanfics apontou a apropriação que os leitores têm de uma obra que gostam e se identificam, bem como uma dica de que construir bons universos e personagens pode trazer um envolvimento genuíno:

Além disso, os autores também falaram sobre como utilizar suas próprias experiências como background ou motivação para seus personagens. Nesse ínterim, Karen fez uma ótima adição.

Ela introduziu sua própria experiência no que estava escrevendo ao fazer com que uma cultura inteira sentisse a mesma saudade de casa que ela sentia. Então, confira o que ela disse sobre isso:

Em conclusão, aqui vai uma pergunta: como você cria seus personagens e universos fantásticos? Continue acompanhando para mais dicas e coberturas de eventos literários!

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1 comentário em “Como construir um bom universo fantástico? Essas são as dicas de escritores”

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