Pular para o conteúdo
Como planejar um livro: veja o passo a passo que vai facilitar sua escrita

Como planejar um livro: veja o passo a passo que vai facilitar sua escrita

Por toda a internet, nós encontramos o “planejar um livro” como receita de sucesso para muitas empreitadas.

Eu mesma já usei o planejamento como solução de problemas.

Por exemplo, eu disse neste post que autor que planeja seu livro não tem bloqueio criativo.

E falei neste aqui que ter o livro planejado antes de começar a escrever, permite que a gente termine o primeiro manuscrito em 30 dias.

Porém, o que é o “planejar um livro”, o planejamento que eu e tantos outros escritores falamos? É sobre isso que vamos conversar hoje.

Você vai conferir:

Passo 1: o que você quer dizer ao mundo?
Passo 2: quem é o seu protagonista?
Passo 3: quais serão os pontos-chave?
Passo 4: o que vai acontecer nos capítulo?

Como começar a planejar um livro?

A ideia de planejar um livro é a mesma de planejar qualquer coisa: você precisa saber onde quer chegar e traçar um plano de ação para chegar lá.

Porém, diferente de uma meta de escrita, por exemplo, o planejamento de um livro passa por alguns passos particulares que não se resumem a números.

Por exemplo, aqui estão os quatro passos de planejar um livro:

  1. Você precisa saber qual é a mensagem que quer passar com a história;
  2. Como seu protagonista vai chegar até o objetivo dele e como ele vai entender a mensagem;
  3. Quais serão os acontecimentos chave que vão nortear a história;
  4. E o que vai acontecer em cada capítulo.

Mas calma, antes de sair definindo seu planejamento, dá uma olhada na explicação de cada um desses passos abaixo.

Passo 1: o que você quer dizer ao mundo com o seu livro?

Quando falamos sobre histórias, é comum falarmos sobre uma transformação sofrida por um personagem ou sobre uma temática.

Histórias têm raiz no aprendizado. Elas nasceram como entretenimento, mas também como forma de ensinar lições para as gerações mais novas.

Logo, se você quer contar uma boa história, daquelas que ficam com a gente com o passar dos anos, é melhor pensar na mensagem que você quer passar com ela.

Até porque, histórias passam mensagens a gente querendo ou não. Então, é melhor ter controle do que você está dizendo com o seu livro.

Além disso, parte importante dessa mensagem é que ela seja uma lição aprendida por um personagem. Seja de forma explícita ou não.

Por exemplo, quando escreveu O Senhor dos Anéis, uma das mensagens mais fortes que Tolkien passou é que a menor das criaturas pode fazer a maior das mudanças no mundo.

Esse é o tema da história e é o que faz Frodo e Sam entenderem o papel deles na Terra Média para cumprir aquele plano. Também é algo que nós, leitores, aprendemos e levamos para as nossas vidas.

E para chegar nessa mensagem, existem algumas perguntas que ajudam:

  • Qual é a mensagem (tema ou lição) que eu quero passar com essa história?
  • Qual é a transformação que o(s) meu(s) protagonista(s) vai(vão) sofrer depois que ele entender essa mensagem (tema ou lição)?

Passo 2: quem é o seu protagonista e por que devemos nos importar com ele?

Eu, pessoalmente, gosto muito de uma construção de personagem que a Abbie Emmons fala nos vídeos dela.

Nela, você constrói um personagem a partir da mensagem do seu livro e dos assuntos que você quer tratar.

E construindo seu personagem assim, toda a história vai girar ao redor dele e do que importa para ele, fazendo com que o leitor se importe também.

E aqui vão algumas perguntas que ajudam a construir personagens de acordo com os conselhos da Abbie:

  • Qual é o maior desejo do protagonista? E por que ele tem esse desejo, como o desejo surgiu?
  • Qual é o maior medo do protagonista? E por que ele sente esse medo, de onde veio?
  • No que ele acredita no início da história, e que vai se provar uma crença falsa, algo do qual ele precisa se desprender e que vai acabar sendo uma crença que bate de frente com a mensagem do livro? E por que ele tem essa crença, de onde veio?
  • Como a mensagem (tema ou lição?) afeta, e muda, a vida dele e a visão de mundo que ele tem?
  • Quem ele é, enquanto pessoa, quando a história começa, e quem ele é quando ela termina?

Respondendo essas perguntas com profundidade, você consegue definir para onde seu personagem vai, de onde ele veio e como a história que você vai contar afetá-lo.

Passo 3: quais serão os pontos-chave da sua história, aqueles que vão mudar tudo?

Sabendo qual é a mensagem e quem é o protagonista, você precisa saber como será a jornada dele. E essa jornada pode ser definida através de uma estrutura em pontos-chave.

Esses pontos-chave são pontos de mudança na narrativa, acontecimentos grandes que impactam a jornada e podem mudar o rumo das coisas.

Aqui, a gente entra em um assunto que você já deve ter ouvido falar, como a estrutura de três atos ou a jornada do herói.

A Abbie Emmons, por exemplo, gosta de utilizar uma versão bastante detalhada da estrutura de três atos.

Porém, eu já vi pessoas que utilizam uma versão bastante simplificada, contendo apenas o incidente e o clímax.

Depois de estudar um pouco de tudo, eu cheguei em uma estrutura que eu uso e que tem funcionado. Ela une a estrutura de três atos com a jornada do herói e contém os seguintes pontos:

  • Mundo comum: como vive o seu protagonista hoje? Qual é o mundo comum dele?
  • Incidente: o que vai acontecer para mexer com esse mundo comum e tirar o protagonista da zona de conforto?
  • Reviravolta: o protagonista estava indo em uma direção mais reativa, mas o que vai acontecer para ele começar a reagir?
  • Falsa Vitória: o personagem reagiu e achou que estava indo para o lugar correto. O que é esse “lugar correto”?
  • Desastre: ele descobre que não era correto, era uma falsa vitória. O que acontece para mostrar que era falso?
  • Fundo do Poço: depois de descobrir que ele não tinha sido vitorioso, ele vai em um estado de depressão. Como é esse fundo do poço?
  • Descoberta: dentro do fundo do poço, o protagonista consegue enxergar uma saída. O que acontece para mostrar a verdade para ele?
  • Embate: portando a verdade, o protagonista consegue confrontar a força antagonista. Como acontece esse embate?
  • Resolução: depois do embate, o protagonista pode sair vitorioso ou não. Como é a resolução?

O ideal é que os pontos-chave do plot da história estejam interligados com os pontos-chave da jornada do personagem.

Por exemplo, o fundo do poço do plot é quando a história está no seu humor mais baixo, quando o desastre já aconteceu e o protagonista está caminhando por entre as ruínas.

E para a jornada do personagem, esse mesmo ponto-chave indica que ele está em seu ponto mais baixo, desesperançoso, sem ver luz no fim do túnel.

Passo 4: o que vai acontecer em cada capítulo?

Quando você definir os pontos-chave da história, vai ficar muito mais fácil entender como a história vai se desenrolar.

Então, o próximo passo é começar a delinear os capítulos.

Existem várias estratégias utilizadas por diversos autores por aí, como a escaleta ou scene cards para definir capítulos, mas eu utilizo algo mais simples.

A minha técnica consiste em pegar cada parte da estrutura acima e descrever detalhadamente o que vai acontecer dentro dela.

Por exemplo, quando eu precisei dizer que o aconteceria no meu livro policial para mostrar como era o mundo comum da protagonista, eu descrevi que:

  • a protagonista precisava ser mostrada vivendo sua rotina normal, comum de dia a dia. Ela também precisava aparecer em uma reunião do comitê que ela participa e conversando com sua melhor amiga que, mais tarde, seria vítima de um crime.

O incidente, no caso dessa história, é a morte da melhor amiga da minha protagonista. Então, eu precisava ter capítulos que mostrassem a vida comum dela antes do crime.

Então, eu descrevi que:

  • Capítulo 1: mostraria a protagonista vivendo a rotina da manhã em casa com o marido e as filhas
  • Capítulo 2: mostraria a protagonista na reunião do comitê
  • Capítulo 3: mostraria a protagonista à noite em casa, tranquila, até que alguém toca a campainha para avisar sobre a morte.

E, claro, dentro de cada um dos capítulos, você descreve cenas que sejam relevantes para cada momento e que deem informações suficientes para o leitor.

Basicamente, depois de ter a estrutura, você preenche as lacunas descrevendo capítulos.

E agora? É colocar a mão na massa!

Agora que você tem tudo o que precisa, não deixe todo o trabalho com planejamento ir pelo ralo abaixo.

Agradeça a você mesmo colocando em prática esse planejamento e realmente escrevendo.

Eu deixei aqui neste post uma série de dicas de como escrever seu primeiro manuscrito em 30 dias e, mesmo que você leve mais tempo do que isso, as dicas são importantes.

Basicamente você vai precisar fixar metas, ter compromisso com a escrita e parar de querer escrever e editar ao mesmo tempo.

Eu espero que você tenha aproveitado esse artigo e que consiga aplicar esses passos para planejar um livro!

Não esqueça de deixar um comentário aqui embaixo me dizendo o que você achou.

Leia também:

Por que você deveria fazer uma ficha de personagem para o protagonista do seu livro?

Como estipular (e cumprir) suas metas de escrita para 2022 com 14 dicas

É possível fazer graduação em escrita criativa? E pós em escrita criativa?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.