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Bubblegum Bitch: a representação da rainha da escola em Electra Heart

Bubblegum Bitch: a representação da rainha da escola em Electra Heart

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Na primeira música de Electra Heart, nós conhecemos uma menina bastante jovem e apaixonada por um ideal.

Ela quer ser uma bubblegum bitch, aquela menina que domina o mundo, admirada por todos e por quem todos são fascinados.

A bubblegum bitch é linda, poderosa e confiante. A característica dominante dessa menina é a aparência, já que é assim que ela conquista as pessoas. A letra diz:

Got a figure like a pin-up
Got a figure like a doll
Don’t care if you think I’m dumb
I don’t care at all”

A letra fala bastante sobre a aparência e sobre elementos que são importantes para a construção desse arquétipo.

Marina cita elementos fofos e quase infantis que se tornam sexualizados na letra e ganham status de armas de destruição (I’m gonna pop your bubblegum heart”).

Nesse contexto, a bubblegum bitch, então, é uma menina de aparência fofa e doce, mas que pode destruir qualquer um quando ela quiser.

Você vai conferir:

Bubblegum Bitch fala sobre desejo
Britney Spears e a cultura pop
Arquétipos na cultura pop: a rainha da escola
A Bubblegum Bitch na cultura pop
A solidão e a tristeza da bubblegum bitch

Bubblegum Bitch fala sobre desejo

O significado de Bubblegum Bitch, o que a letra da música fala, é sobre o desejo em diversas dimensões: o desejo de ser desejada, o desejo de despertar o desejo nos outros e o desejo de ser alguém distante de quem é.

Bubblegum Bitch não fala sobre a vida real de Electra Heart, mas sobre o que se passa em sua cabeça. Em apenas um trecho é que somos apresentados a um aspecto da vida real de Electra. E esse aspecto rege todo o álbum:

“Oh, dear diary, I met a boy
He made my doll heart light up with joy
Oh, dear diary, we fell apart
Welcome to the life of Electra Heart”

Na tradução, percebemos que ela é uma adolescente que ama sem ser correspondida. Electra se apaixona e fica sozinha, revelando, em comparação com o restante da letra, que a única vontade dela é ser desejada.

Ela não tem sorte no amor, então acredita que a única maneira de ser amada é se tornando uma menina confiante, linda e implacável.

A música é cantada em primeira pessoa e Electra Heart nos conta que ela é uma bubblegum bitch em potencial.

Ela usa verbos no presente para descrever sua aparência, mostrando que ela já possui os atributos físicos necessários. Mas usa verbos no futuro para expressar o comportamento de uma bubblegum bitch.

E apesar disso, ela usa primeira pessoa do singular: eu.

O trecho “Life gave me some lemons, so I made some lemonade” explicita ainda mais essa ideia.

A vida deu a boa aparência à Electra, então ela resolveu usar essa arma para se tornar uma bubblegum bitch e conseguir o que mais quer: ser desejada e amada.

Britney Spears e a cultura pop

Em um de seus shows, Marina declarou que essa música foi inspirada em Britney Spears, por quem ela tem uma grande admiração desde a adolescência.

A figura defendida por Britney, pelo menos no início da carreira, é uma figura bastante parecida com a descrita em Bubblegum Bitch.

Britney tinha uma figura doce e angelical e, principalmente em seus primeiros videoclipes, se apresenta usando franja reta, cores pastéis e expressões inocentes.

Porém, ela dança de maneira sensual e tem letras provocantes. Ela é linda, sensual e confiante em seus shows, tem uma legião de admiradores e consegue fascinar quem a assiste.

britney spears no clipe de baby one more time

Britney é uma bubblegum bitch e isso fala muito sobre a Geração Y, os Millennials, e sobre a cultura pop.

Os EUA são exportadores de cultura e, praticamente, tudo o que os canais americanos televisionam vira sucesso.

Marina cresceu no País de Gales, longe do circuito hollywoodiano, consumindo a influência pop dos anos 1990 e 2000 enquanto crescia.

Ela foi tão exposta aos arquétipos adorados pelos americanos quanto qualquer outra menina do planeta.

Por isso, é tão fácil existir uma identificação com a história de Electra Heart.

Arquétipos na cultura pop: a rainha da escola

Exportados para o mundo inteiro, os arquétipos mostrados no cinema influenciam crianças e adolescentes de maneira que essa cultura alienígena passa a ser absorvida.

Nada do que é mostrado nos filmes faz parte da cultura brasileira, por exemplo. Mas que adolescente nunca quis ter armários na escola ou ser líder de torcida?

cena do filme de repente 30

Esses arquétipos acabam despertando nosso desejo, mesmo que a identificação cultural seja nula. A verdade é que, querendo ou não, a mídia tem um poder de influência muito grande.

O que esses filmes mostram acaba refletindo na vida real. O que nos faz, cada vez mais, perguntar: será que é a arte imitando a vida ou a vida imitando a arte?

Ao que tudo indica, em Bubblegum Bitch, Electra Heart se rendeu ao sonho americano.

Ela é uma menina com problemas de autoestima, providos por sua falta de sorte no amor. Por isso, se deixa influenciar por personagens da televisão que tem tudo.

A vida daquelas garotas em idade escolar, desejadas e amadas por todos, que são lindas e confiantes e sempre conseguem o que querem, fala diretamente ao coração dela.

E não só ao coração dela, mas já falou ao coração da Marina e de diversas adolescentes pelo mundo.

cena do filme bring it on

A bubblegum bitch na cultura pop

Marina evoca na letra de Bubblegum Bitch a garota mais popular da escola. Conseguimos ver essa personificação em dois ícones da cultura pop adolescente: Cher Horowitz e Regina George.

As protagonistas de As Patricinhas de Beverly Hills e Meninas Malvadas, respectivamente, tem em comum várias das características dadas por Marina à bubblegum bitch.

Elas são lindas, populares, desejadas, invejadas e, também, malvadas quando querem.

cena do filme as patricinhas de beverly hills

Existem algumas outras representações que, se não semelhantes pelo aspecto físico, são parecidas em comportamento: Kathryn, de Segundas Intenções, Taylor, de Ela é Demais, e Chanel Oberlin, de Scream Queens são outros exemplos.

Apesar das décadas que separam algumas dessas personagens, elas possuem similaridades de comportamento e aparência. Em sua maioria, em suma, são figuras angelicais, loiras e de olhos claros.

Essas personagens possuem poder de decisão e influência por conta de sua posição como rainha da escola. E ao longo de suas respectivas tramas, nesse ínterim, se mostram como invejáveis para os outros.

cena do filme meninas malvadas

No álbum Electra Heart, existe um apelo muito grande ao visual. Marina, nesse sentido, já declarou que uma das maneiras que ela encontrou de contar essa história foi usando sua própria aparência.

Em uma das imagens de divulgação do álbum, ela posa exatamente como as personagens de comédias adolescentes que falamos há pouco.

É possível, também, que o chiclete apareça como uma simbologia ao poder da bubblegum bitch. Assim sendo, ela pode mastigar as pessoas, molda as pessoas como ela quer e sempre pode cuspir essa pessoa quando desejar.

O mundo é o chiclete da bubblegum bitch. Talvez seja por isso que várias das personagens da cultura pop sejam vistas mascando chicletes e fazendo peripécias com eles.

na direita, cher horowitz. na esquerda, channel oberlin

A solidão e a tristeza da bubblegum bitch

Existe, entretanto, outro aspecto marcante na maior parte dessas personagens e que também é marcante em Electra. Ela é solitária, triste e carrega um trauma.

Quase em sua totalidade, uma bubblegum bitch terá um problema de personalidade, autoestima ou drama familiar. Nesse ínterim, pode ser a morte de um dos país ou a falta de atenção por parte deles.

Assim como uma insegurança muito bem guardada ou qualquer coisa que pode ser vista como um ponto fraco e como desvantagem.

Enfim, Electra é insegura, se sente ignorada e pouco amada por aqueles ao seu redor e, veremos mais para frente, que ela tem problemas familiares… Contudo, temos uma bubblegum bitch perfeita nessa história.

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