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Como um amigurumi está me ajudando a planejar um livro

Como um amigurumi está me ajudando a planejar o meu primeiro romance fantástico

Marcações:

Eu comentei neste texto aqui que eu nunca fui o tipo de planejar um livro, que as minhas histórias iam acontecendo e eu ia tentando fazer com que elas fizessem sentido no meio do caminho.

Porém, eu descobri que planejar um livro antes de começar a escrevê-lo, e fazer isso da maneira correta, faria o meu livro importar para o leitor a longo prazo.

Então, eu me dispus a começar a planejar.

Em vez, então, de apenas dar nomes aos personagens, determinar o signo deles para ter uma ideia de personalidade e ter uma lista de coisas que precisavam acontecer na história, eu me entreguei aos esquemas e fluxogramas.

Dessa vez eu não ia deixar os acontecimentos guiarem a minha história, mas as escolhas da minha protagonista e, para isso, eu precisava investigar a personalidade dela.

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Além disso, eu tinha que entender essa personalidade a ponto de saber qual caminho ela escolheria quando se deparasse com uma bifurcação.

Tudo isso para que, quando alguém lesse a história, entendesse por que aquilo importava para a minha protagonista e por que aquilo estava acontecendo com ela especificamente.

Por isso, eu comecei a montar fichas de personagens e comecei a distribuir as escolhas deles em um fluxograma dividido entre atos e pontos de importância dentro da história.

Porém, tudo isso é muito complicado de fazer sozinha, e é aqui que o amigurumi entra na história.

Como eu descobri que planejar um romance requer um ouvinte

Embora eu não fosse o tipo de escritora que planeja, eu sempre fui o tipo de escritora falante. Então, quando eu planejava minimamente minhas histórias, eu falava em voz alta comigo mesma.

E, quando eu tinha alguém para me ouvir, falava com essa outra pessoa. No caso do meu livro atual, o meu namorado era essa pessoa, o meu ouvinte.

Quando eu chegava em algum ponto muito intrincado no planejamento, como por exemplo, será que determinada insegurança era o suficiente para minha antagonista se tornar antagonista, eu levava a questão para ele.

No início, meu namorado até me dava ideias, especialmente na forma de perguntas.

Porém, eu fui percebendo com o tempo que a participação dele naquelas conversas não era essencial porque eu praticamente estava levando a conversa sozinha, apenas precisando de alguém para me ouvir.

Basicamente, eu estava usando o meu namorado como um ouvinte inanimado para quem eu apresentava o problema, as origens daquele problema e, depois, listava algumas possíveis soluções.

Nessas ocasiões, eu falava individualmente sobre essas soluções, apresentando os prós e contras de cada um e, acreditem, saía da conversa com uma conclusão que não tinha vindo do meu ouvinte. Mas de mim.

Ou seja, a grande verdade é que eu não precisava de uma pessoa para me ajudar a planejar, eu precisava apresentar meu caso e pensar em voz alta sobre ele para alguém (ou algo) que estaria me ouvindo.

Quando eu percebi isso, comentei com meu namorado e ele, desenvolvedor de software, me apresentou a incrível técnica do Patinho de Borracha.

Como funciona a técnica do Debug com Pato de Borracha

Dentro da programação, existe uma técnica chamada de Rubber Duck Debugging que consiste em o desenvolver ter um patinho de borracha em cima da sua mesa.

Esse patinho é um ouvinte inanimado que serve apenas para que o desenvolver apresente seus problemas de código, as possíveis origens para aqueles bugs e as possíveis soluções.

Sempre, então, que um programador encontra um problema para o qual ele não tem ideia da solução, ele usa o patinho para tentar descobrir sozinho como resolver.

Agora quando o Sr. Weasley perguntar qual é exatamente a função de um patinho de borracha, todos os escritores vão saber responder.

E, assim, eu descobri que estava usando o meu namorado como um patinho de borracha de debug e resolvi adaptar um pouco a situação.

Eu não tinha um patinho de borracha em casa, então coloquei em cima da minha escrivaninha o único outro bichinho inanimado que habitava minha decoração, um amigurumi do Pikachu.

Como planejar um romance com a ajuda de um amigurumi

Na maior parte do tempo, eu não converso com o amigurumi do Pikachu, apenas quando eu encontro um problema ou preciso entender como a mente do personagem vai funcionar na bifurcação.

Nesses momentos, eu, com toda a calma e clareza, apresento o problema para o Pikachu.

Digo para ele como chegamos até aqui, por que isso está acontecendo nesse momento da história e demonstro os possíveis caminhos e suas consequências. Tudo isso, enquanto eu desenho as possibilidades em uma folha de papel.

No fim das contas, o amigurumi não precisa me responder de volta, ele precisa apenas estar ali, ouvindo o monólogo constrangedor que me pintaria de louca se alguém que não conhece o contexto da “conversa” aparecesse.

Em resumo…

A questão é que planejar um romance dessa maneira extensa e completa é uma tarefa solitária. E, muitas vezes, nós precisamos de ajuda para sair de determinados becos sem saída.

Porém, nem sempre temos alguém disposto a nos ouvir, ou envolvido o suficiente na história para conseguir dar uma sugestão válida.

Por isso, temos que encontrar soluções dentro de nós mesmos, falando com nós mesmos.

E é aqui que o patinho de borracha, ou o amigurumi do Pikachu, aparecem, como os ouvintes inanimados que não vão interferir, mas vão acabar estimulando o nosso cérebro a encontrar a resposta sozinho.

E você, já tinha pensado em como falar em voz alta com um objeto inanimado poderia ajudar a planejar um romance?

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